INTERESSSE,
RACIONALIDADE E CULTURA
Löic J. D. Wacquant e
Craig Jackson Calhoun
A discussão que opôs recentemente, nas páginas do
American Journal of Sociology,(1) o sociólogo James Coleman,
inspirado na economia neoclássica, ao historiador-sociólogo William H. Sewell,
influenciado pela antropologia cultural de Geertz, é um indício da escalada, ou
do vigoroso retorno, de duas correntes influentes no campo sociológico
americano: a teoria dita “da ação racional” (Rational Actiori Theory, ou RAT) e
a sociologia histórica e cultural. Para além dos homens, são de fato dois pólos
epistemológicos e duas concepções da ação e da ciência social que se
confrontam.
Coleman
e a ofensiva do honro oeconomicus
A RAT que Coleman defende em seu
artigo-manifesto não constitui propriamente um movimento teórico original nas
ciências sociais dos Estados Unidos. Trata-se de uma aplicação ampliada e
modernizada da “abordagem econômica” dos fenômenos sociais, cujas raízes
históricas remontam à filosofia individualista do utilitarismo
anglo-saxão. (2) O postulado fundador deste último foi
assim enunciado por Gary Becker (1976, p.14): “Todo comportamento humano pode
ser concebido como pondo em jogo participantes que maximizam sua utilidade a
partir de um conjunto estável de preferências e acumulam a quantidade ótima de
informações e outros intrants sobre uma variedade de mercados.” Sob as
diferentes denominações de rational choice, (3)problema
da ação coletiva, (4)pesquisa de “microfundamentos” (5)
ou individualismo metodológico, essa abordagem goza hoje nos Estados Unidos de
uma preferência sem precedentes, que se explica pela conjunção de vários
fatores.
Primeiro fator favorável: a “revolta
microssociológica”, ou “construtivista”, que pôs fim à hegemonia funcionalista
nos anos 60. A explosão paradigmática da sociologia americana que se lhe seguiu
efetuou-se sobretudo no modo “interpretativo” ou cognitivo, com o
interacionismo simbólico de Blumer e Goffman, a etnometodologia de Garfinkel e
Cicourel, a sociologia fenomenológica inspirada em Schutz e a análise da
conversação de Sacks e Schegloff (6); compreendeu também uma variante
“instrumentalista”, ou racional, representada pelo behaviorismo de George
Caspar Homans e a teoria econômica da troca de Peter Blau. Esse deslocamento do
centro de gravidade do campo sociológico para o pólo subjetivista combina-se
hoje com uma nítida renovação do interesse pela teoria, até mesmo pela “Grande
Teoria”, de tal modo que estão criadas condições particularmente propicias à
propagação da RAT, em que não é de todo absurdo discernir uma espécie de
retorno do que fora relegado na sociologia utilitarista que se dissipara pouco
a pouco ao longo dos anos 70.(7)
A teoria, nos últimos anos, reconquistou
os favores da sociologia americana. Atestam isso a multiplicação de livros, (8)artigos e
colóquios que lhe são dedicados e o sucesso de público das confrontações entre
grandes “teóricos” do momento. Em agosto de 1987, para surpresa tanto dos
organizadores quanto dos oradores, a sessão do 82º Congresso Anual da
Associação Americana de Sociologia dedicada à “teorização cumulativa em
sociologia” (Turner, 1989) atraiu tal multidão (avaliada em mais de 500
pessoas) que foi preciso transferi-Ia para uma sala mais ampla quando os
debates já estavam em pleno curso. Outros indícios dessa retomada: o aumento da
seção de “Teoria” da Associação Americana de Sociologia (que contava menos de
400 membros em 1983, contra mais de 550 em 1989) e o bem-sucedido lançamento,
em 1982, da SociologicalTheory, a primeira revista oficial da ASA,
inteiramente dedicada à teoria, e, em 1985, da série “Key Issues in
Sociological Theory” pela Sage Publications. Nem mesmo uma tentativa
parcialmente abortada de reabilitação do parsonianismo, empreendida por um
punhado de “neofuncionalistas” apoiados pela velha guarda
estruturalfuncionalista - impensável uma década atrás -, deixa de ser hoje
parte integrante da paisagem intelectual oficial. A tal ponto que um de seus
promotores não hesita, nesse clima que voltou a ser nitidamente mais clemente em
relação às reivindicações ao magistério conceituai, em inclui-Ia na vanguarda
do “novo movimento teórico”. (9)
Entre todos os assuntos que excitam hoje
a inclinação teórica da profissão, nenhum supera o famoso “vinculo
micro-macro”, recentemente instituído como problema canônico da disciplina, e
que todo sociólogo com um mínimo de ambição teórica deve enfrentar, ainda que
ritualmente. (10) Não é por acaso, portanto, que o artigo de Coleman
atribui à RAT a missão e a capacidade de lançar finalmente uma sólida ponte
teórica entre os níveis de análise micro e macro, entre as condutas individuais
e seus efeitos sistêmicos. (11)
Segundo fator: um ataque sistemático dos
economistas e seus aliados do interior à cidadela sociológica. Adam Przeworski
observa que “as ciências sociais são hoje o alvo de uma ofensiva sem
precedentes desde os anos 1890: um ataque deliberado visando a impor o
monopólio do método econômico sobre todo estudo da sociedade (...) E essa
ofensiva foi em grande parte vitoriosa”. (12) Mesmo que não se aceite esse diagnóstico interessado e um tanto
precipitado no tocante ao desfecho da batalha, não se pode deixar de estar de
acordo quanto à constatação de uma rápida proliferação dos modelos econômicos
na ciência social americana. (13)Isso ocorreu especialmente na sociologia das organizações, em que os
trabalhos de economistas estiveram na origem de desenvolvimentos importantes,
como a abordagem dos custos de transação ou a teoria das relações
“comitente-preposto” (principal agent theory), (14) mas
também no estudo dos movimentos sociais da família e da escola, bem como nesse
conjunto disperso de pesquisas e técnicas analíticas agrupadas sob o rótulo de network
theory. (15) Os discípulos confessos da RAT continuam, por certo,
relativamente pouco numerosos entre os sociólogos - em contraste com os
politólogos, sobretudo - e a intrusão do método econômico no terreno do social
não deixou de suscitar umvigoroso contra-ataque. Assim, o
conceito neoclássico de mercado, se não está hoje desacreditado, é pelo menos
vigorosamente contestado pelos trabalhos de Granovetter, Powell, Zelizer e
White. A rápida expansão da sociologia econômica nos últimos anos faz pensar
que o questionamento sociológico das noções do senso comum “científico” da
economia ortodoxa está apenas no começo. (16)
Ainda
assim - reforçado pela filosofia social do “individualismo voluntarista”, que
impregna a sociologia americana desde a origem, e pelo positivismo social que
faz dos êxitos (sociais, senão científicos) da economia neoclássica o modelo
acabado da cientificidade -, (17)o esquema
da ação racional passou a ser, pelo menos implicitamente, a base de bom número
de setores de pesquisa aparentemente “ateóricos”. Seja com for, a ofensiva
econômica revela-se ameaçadora o suficiente para que certos sociólogos se
perturbem e alertem os colegas para os perigos de ceder com demasiada
facilidade a uma fusão das disciplinas irmãs sob a égide do conceito redutor de
escolha racional: a sociologia nada teria a ganhar com a troca de seu sentido
da variedade e da complexidade do real pela “propriedade irrealista” dos
modelos econômicos. (18)
Tomemos dois exemplos, entre outros,
dessa supervalorização das pretensões epistemológicas dos economistas. Por
ocasião de um simpósio sobre “Os paradigmas nas ciências sociais”, realizado em
1986 no campus da Universidade de Chicago, quartel-general dos RATs, se existe
algum, (19)o prêmio Nobel
de economia James Buchanan não hesitou em proclamar que “os que preferem
pesquisar as relações entre classes, Estados e organizações como tais, sem se
dar ao trabalho de reduzir a análise aos comportamentos dos indivíduos que
nelas participam, não merecem sequer, a meu ver, a qualificação de social
scientist, se ainda atribuirmos algum sentido
a este termo” (citado por Hirsch et al., p. 317, grifo nosso). Em 1983, também na Universidade de Chicago, numa
conferência sobre teoria sociológica, seu colega Mancur Olson respondeu nos
seguintes termos - em que a condescendência rivaliza com a ignorância - a
Joseph Gusfield, o qual defendera a bandeira da sociologia interpretativa (humanistic
science) ao fim de uma comunicação sobre a
construção social da noção de “ameaça pública”, como a embriaguês ao volante:
“Gostei desta exposição, pareceu-me até agradável. Quando terminou, fiquei pensando
porque gostara tanto (...). Finalmente entendi o motivo: foi como um magnífico
sermão. Não seria o caso de passarem então a falar de abordagem teológica em
ciências sociais, em vez de abordagem humanista?” (Olson, in Lindenberg,
Coleman e Nowak, 1986, p. 202, grifo nosso).
Quanto
aos sociólogos, o livro de Michael Hechter, Principies of Group
Solidarity, oferece uma imagem arquetípica desse economicismo expansionista. Ao
cabo de um processo sumário, e tendo condenado sem direito a recurso as abordagens
“normativista, estruturalista e funcionalista” (1987, pp. 20-29), que
simplificou à vontade para seus fins, Hechter, ex-adepto da teoria neomarxista
do sistema-mundo (em outras épocas, foi um dos discípulos mais destacados de
Immanuel Wallerstein na Universidade de Colúmbia), recém-convertido à RAT,
propôs substituí-laspor uma
teoria racional da coesão dos grupos. Essa teoria se articula em torno de três
elementos de base que revelam, de saída, o empobrecimento conceitua) produzido
por tal conversão: indivíduos “portadores de um conjunto de preferências
especificas, discretas, não ambíguas, e transitivas”; instituições, ou seja,
“conjuntos de regras que constrangem eficazmente o comportamento individual
segundo diversas modalidades”; e “produtos coletivos” resultantes da combinação
das condutas individuais (pp. 30-31). Pergunta: por que os indivíduos criam
grupos ou ingressam neles? Resposta: para poder consumir os bens exclusivos e
imanentes que só eles são capazes de produzir. Ao fim de um severo escrutínio
de vários casos – grupos parlamentares, associações de crédito rotativo,
mercados de trabalho internos às empresas e comuns (uma amostra muito
particular, pois contém apenas grupos formais eletivos: quid de todos os
coletivos, em que o pertencimento não decorre da lógica da escolha individual,
deliberada e consciente, como família, clãs, classes, nações, comunidades
raciais ou étnicas, grupos sexuais ou de idade?) – o autor chega a essa notável
descoberta, plena de bom senso utilitarista: um grupo é tanto mais solidário
quanto mais estreitamente seus membros dependem dele e quanto mais amplas são
suas capacidades de controle formal e sanção.
Ao concluir, Hechter admite que a RAT
sofre de carências no mínimo alarmantes: é incapaz de explicar por que tal tipo
de grupo emerge em vez de tal outro para saciar essa mesma sede inextinguível
de “bens coletivos imanentes” que atormenta incessantemente os indivíduos
maximizadores; nega qualquer papel às identidades e aos sentimentos coletivos;
mostra-se inapta a esclarecer a dinâmica do desenvolvimento institucional e os
rompantes de ação coletiva que se desencadeiam na ausência de qualquer
mecanismo formal de controle ou de retribuição; por fim, e sobretudo, permanece
inteiramente muda sobre a variável causal que presumivelmente comandaria todo 0
modelo, a saber, a formação das preferências individuais (pp.183-184). Isto não
o impede, contudo, de afirmar, sem nenhuma cerimônia, que “longe de serem
incompatíveis, a sociologia e a racional choice são mutuamente
complementares (...) Juntas, oferecem hoje a melhor esperança de fundir os
níveis de análise individual e estrutural num todo coerente, capaz de produzir
proposições empíricas passíveis de refutação” (pp. 8 e 186).
Em suma, embora fundadas numa filosofia
social individualista profundamente conservadora - ou até organicamente ligada
a uma forma de capitalismo liberal, que, à primeira vista, pareceria dever
torná-la antitética a uma ciência social critica - as proposições teóricas da
RAT sociológica viram-se consideravelmente reforçadas “à sua esquerda” pela
emergência paralela do “marxismo analítico” (também conhecido pelo nome de game-theoretic
marxism, ou ainda de racional choice marxism). Essa nova “escola” de
pensamento - cujo núcleo se compõe dos filósofos Gerald Cohen e Jon Elster, dos
politólogos Adam Przeworski e Robert Van Parijs; do economista John Roemer e do
(único) sociólogo Eric Olin Wright (em cuja periferia podemos situar os
filósofos Andrew Levine e Allen Wood, o historiador Robert Brenner e Norman
Geras) - ambiciona retomar os problemas do marxismo com o auxilio da metodologia
neoclássica. Isto sobre a base de uma filosofia da ação - de fato uma
verdadeira ontologia social, prima daquela que funda o subjetivismo
sartreano –(20) que faz da estrutura das relações sociais
o produto da agregação compósita e não intencional das escolhas deliberadas de
indivíduos, que maximizam seus interesses no curso de interações estratégicas
limitadas pela distribuição dos recursos eficientes. (21)
Essa rede heterogênea e pouco numerosa
(mas extraordinariamente ativa e coesa, por isso muito visível), ‘que lança mão
de uma mistura de Karl Marx e John Stuart Mil], forjou o projeto de dar enfim
ao marxismo os fundamentos lógicos e racionais (em suma, científicos, num
sentido que não contrariaria em absoluto o Circulo de Viena) que ainda lhe
faltariam, um século após a morte do autor do Capital. (22) Seus membros
se distinguem de seus predecessores, sobretudo estruturalistas (alguns são
trânsfugas arrependidos do marxismo althusseriano) pelo fato de aplicarem
tranqüilamente, às questões tradicionais do marxismo - teoria da história,
exploração, conflito de classes, transição para o socialismo - “os métodos mais
avançados dá filosofia analítica e da ciência social ‘positivista’”, (23)
a saber, essencialmente, a teoria dos jogos, a modelização matemática e os
conceitos de equilíbrio e mercado da economia neoclássica. Um de seus
principais porta-vozes não hesita em erigir a filosofia analítica em sine
qua non do método científico. (24)
Esse
“materialismo histórico marginalista”, para adotar uma expressão que destaca o
barbarismo conceitua), associa-se pois à RAT sociológica para fazer da escolha
racional do indivíduo o ponto de Arquimedes da teoria social. De fato, o marxismo
analítico é o homólogo, em todos os pontos, no campo do “marxismo professoral”,
(25) da teoria da escolha racional de Coleman na sociologia ortodoxa:
assim como a RAT colemaniana não pode ser compreendida fora de sua relação de
oposição ao funcionalismo e à sua concepção “hipersocializada” da ação - que,
no esquema parsoniano, faz do agente o servo passivo de normas culturais
consensuais todo-poderosas (Wrong, 1961) - assim também o hipersubjetivismo
racionalista e intencionalista do marxismo analítico se define numa reação ao
“anti-humanismo” exacerbado do marxismo althusseriano, em que o agente é
rebaixado à categoria de suporte das estruturas reificadas e
quase-antropomorfizadas, continuamente “interpelado” por aparelhos ideológicos
dotados de capacidades mistificadoras infinitas.
Se a taxa de citações mútuas,
excepcionalmente elevada, o tom deliberadamente autocelebrador e o fechamento
conceitual e temático de seus discursos podem dar aos marxistas analíticos a
aparência de uma “sociedade de admiração mútua”, suas discordâncias internas
são de fato tão numerosas como profundas: assim, Przeworski considera “estéril”
a aparelhagem técnica da teoria dos jogos que Elster valoriza acima de todas as
outras, enquanto este decreta falaciosas e logicamente inaceitáveis as
explicações funcionalistas que, segundo Cohen, formam a ossatura cientifica do
marxismo; Cohen, por sua vez, rejeita o exagerado individualismo metodológico
de Elster e Przeworski, enquanto Wright e Levine assumem uma posição
dissidente, em favor de um “anti-reduCionismo metodológico” moderado. Wright
crê na existência das classes como grupos reais integralmente determinados na
objetividade, posição que Przeworski “combate há 30 anos” e que Elster decreta
sociologicamente improvável, e assim por diante. Afora a hipótese de
racionalidade subjetiva da ação, é bastante difícil dizer o que os “marxistas
neoclássicos” têm em comum.
Não cabe examinar aqui se o marxismo
analítico tem condições de efetuar a revolução copernicana de que já se vangloria,
ou se a combinação do marxismo, da lógica formal e das “recriações matemáticas”
do individualismo utilitarista provém, senão do incesto intelectual, pelo menos
de uma contradictio in adjecto que impede de saída qualquer esperança de
êxito. Contentemo-nos em observar que as opiniões sobre este ponto são, no
mínimo, divididas. (26) O que nos interessa sublinhar aqui é que a
“invenção” do marxismo analítico muito contribuiu para aumentar a credibilidade
cientifica da conservadora RAT, pois tende a apoiar as pretensões desta à
objetividade pura, à Wertfreiheit e à “neutralidade política”, vindo
reforçar a idéia de que, baseados apenas na força da verdade, os modelos
marginalistas da economia neoclássica acabariam por se sobrepor tanto aos
“preconceitos ideológicos” como
ao modo de pensamento estruturalista ou
relacional. De fato, Coleman não se priva de remeter com muita habilidade, por
duas vezes, tanto seus leitores como Sewell à interpretação revisionista do
opus marxiano recentemente proposta por Elster. (27) Este, em Making
Sense of Marx, reinventa, por necessidade, um Marx precursor involuntário
da RAT e da metodologia do racionalismo individualista: em suma, tudo o que é
bom em Marx e deve ser cuidadosamente conservado se revela decorrente de seu
individualismo metodológico inconsciente e de seu lado racional choice; tudo
o mais, que lhe é sugerido por esse monstro lógico que é o “coletivismo
metodológico”, é “desastroso” e deve ser relegado aos museus das idéias
ultrapassadas a título de curiosa intelectuais. (28) E,
reciprocamente, os marxistas analíticos podem, de sua parte, valer-se das
aquisições “cientificas” do paradigma neoclássico em economia e dos avanços da
RAT em sociologia para pôr em relevo o caráter decididamente “não dogmático” de
sua démarche, (29)remetendo para a inominável esfera da
“ideologia” ou do pré-lógico todos os outros marxismos, único meio, na
universidade americana, de afirmar a própria respeitabilidade acadêmica quando
se invoca o pai do Capital. (30)
A corrente da RAT não é hoje nem
suficientemente extensa, nem suficientemente homogênea, como teoria, para
pretender atingir um público amplo entre os sociólogos (31) e é
muito cedo para prever se continuará a se expandir ou se, ao contrário, entrará
numa fase de refluxo. Seja como for, o prestigio social da ciência econômica e
da modelização matemática, o imperialismo dos politólogos seduzidos pelos
encantos da teoria dos jogos e pela problemática da public choice, seu
positivismo paradoxalmente desprovida de empiria, que reduz a explicação das
condutas sociais à previsão adequada de seus resultados, sua afinidade eletiva
com a visão do mundo social que subentende a demanda política de tecnologias
sociais, a autoproclamação de um marxismo subitamente convertido às virtudes
dos modelos marginalistas e do raciocínio hipotético-dedutivo - tudo isto,
somando-se ao capital acadêmico assegurado pela extraordinária concentração de
expoentes num punhado de campi prestigiosos e pela direção de coleções
exclusivas nas editoras mais cotadas, (32) é suficiente para lhe dar uma
visibilidade e uma força de atração social desproporcional à sua influência
intelectual real no seio da comunidade sociológica americana.
É nesse
triplo contexto - ressurgência da microssociologia e da teoria (dai o debate
micro-macro), invasão dos modelos econômicos e invenção do marxismo analítico -
que se inscreve o artigo de Coleman. Verdadeira proclamação de um “estado de
urgência teórica” em prol do individualismo utilitarista, (33) ilustra
de maneira paradigmática esse ataque maciço do honro oeconomicus ao
coração do campo sociológico nos Estados Unidos. O sociólogo de Chicago não se
contenta, contudo, com uma mera repetição dos
postulados da análise econômica: procura dar à RAT uma filiação teórica nobre,
ligando-a à obra de Parsons, ainda que ao preço de uma reinterpretação duvidosa
da história do pensamento sociológico nos Estados Unidos; enuncia um
diagnóstico original das raízes do crescente divórcio entre teoria e empiria;
finalmente, sugere várias maneiras de enriquecer e complexificar o modelo
econômico, introduzindo nele, sob diversas formas, a noção de estrutura social,
que lhe falta.
O
primeiro objetivo de Coleman é dotar o individualismo utilitarista de títulos
de nobreza sociológica que, desde Durkheim, lhe faziam uma falta atroz,
recriando para ele uma genealogia intelectual que o associa a essa figura
totêmica da teoria que é Talcott Parsons nos Estados Unidos. (34) Assim,
sua apologia da RAT se abre com uma evocação histórica das promessas não cumpridas
da teoria sociológica americana: se o programa científico anunciado em 1937 por
Parsons, em The Structure of Social Action, continha muitas promessas de
uma teoria “voluntarista” da ação, (35) nem ele, nem seus sucessores,
nem seus rivais, souberam realizá-las. Incapaz de associar finalidades subjetivas do indivíduo e instituições, o próprio Parsons refugiou-se
muito depressa no estudo do sistema social e de suas condições prévias de
funcionamento. George Homans, por sua vez, lançou-se na direção oposta, e,
perdendo inteiramente de vista estrutura social e intencionalidade, acabou por reduzir a
sociologia da ação a uma análise behaviorista da troca, à maneira de Skinner.
Merton, por fim, absolveu parcialmente o funcionalismo do pecado original da teleologia, mas não se tornou capaz, por isso, de dar à
ação social os “microfundamentos” racionais que lhe faltam.
Dessa carência teórica nasceu uma cisão
crescente entre teoria e empina. Pois, no momento em que o indivíduo - ou, mais
precisamente, a noção de escolha deliberada como modos operandi das
práticas individuais, que Coleman considera, como veremos, consubstancia) a uma
teoria da ação - mais ou menos desaparece da teoria, a pesquisa empírica, por
sua vez, faz dele sua nova unidade de observação. A revolução das técnicas de
observação e de análise estatística que se operou logo no início do pós-guerra,
e que viu os levantamentos por sondagem a partir de amostras de indivíduos
abstraídos de seus contextos sociais e culturais suplantarem os estudos de comunidade
(no estilo do Middletown dos Lynds), levou a pesquisa por um caminho
diametralmente oposto ao que tomaram, no nível teórico, tanto os funcionalistas
como seus rivais da escola dita “do conflito”.
Esse
tipo de pesquisa apresenta duas lacunas, do ponto de vista da teoria
sociológica preconizada por Coleman: embora individualista, a survey
research põe em jogo um modo de explicação determinista e behaviorista, e
nãointencional e estratégico; mostra-se, por isso,
incapaz de retornar do indivíduo ao “comportamento” do sistema social. Além
desse desenvolvimento acelerado das técnicas estatísticas, reforçado por toda a
tradição demográfica que reduz a análise da causalidade social a uma simples
manipulação de índices matemáticos, uma mudança efetiva da estrutura social
veio agravar essa divergência entre teoria e empiria. Sob o efeito do
crescimento exponencial dos mercados, dos meios de comunicação de massa, das
grandes empresas e das burocracias, o princípio de estruturação do social
deslocou-se da comunidade local para a sociedade nacional. Essa transformação
das relações sociais, por sua vez, determinou uma mutação da demanda social de
ciência social. Daí a expansão dos estudos de mercado e da policy research
(cf. Coleman, 1978), que reforçaram a tendenciosidade individualista e causal
(no sentido da causalidade estatística) da pesquisa e frearam a elaboração dos
fundamentos racionais da teoria sociológica.
Para remediar esse divórcio crescente
entre uma empiria centrada num indivíduo abstrato desprovido de intenções e uma
teoria que opera exclusivamente no nível de um sistema artificialmente dotado
de finalidades próprias, Coleman propõe restituir essas finalidades ao
indivíduo e importar para a sociologia os princípios antropológicos que fundam
a microeconomia neoclássica. (36) Tão logo os fins que os funcionalistas
atribuem equivocadamente ao sistema social tenham sido reintroduzidos no nível
do ator racional, a teoria sociológica pode se resumir à elucidação de dois
enigmas. Primeiro: como se combinam as condutas intencionais dos atores para
produzir conseqüências sistêmicas? Segundo: como essas ações economicamente
orientadas para fins se vêem, em contrapartida, modeladas por pressões
resultantes do funcionamento desse sistema? (37) Mas; ao focalizar o olhar
teórico na combinação das condutas individuais autônomas, Coleman pressupõe
estar resolvida a questão da natureza e da lógica imanente das condutas
sociais. Em outras palavras, há aí um paradoxo considerável: a adoção, sem
exame crítico, da filosofia do subjetivismo utilitarista impede a teoria da
ação de Coleman de pôr em questão aquilo mesmo que se presume constituir seu
objeto.
E impressionante constatar a que ponto
Coleman toma a filosofia subjetivista da ação racional como um dado evidente,
simples datum brotam, óbvio, que não exige a mínima prova. Ela é
concebida como um encadeamento refletido de decisões conscientes de um ator
econômico livre, ele próprio, de qualquer condicionamento econômico e social.
Assim, ele inicia sua coletânea de artigos Individual Interests and
Collective Action (Coleman, 1986c, p. 1, o grifo é nosso) com esta
afirmação, tomada como estabelecida sub specie aeternitatis: “A ação
racional dos indivíduos exerce uma atração única sobre a teoria sociológica. Podemos
dizer que explicamos uma instituição ou um processo social se e somente se a
justificamos a partir da ação racional dos indivíduos. O próprio conceito de
ação racional é uma concepção da ação que é ‘compreensível’ [?], uma ação a
cujo respeito nenhuma questão se coloca mais. Assim, a teoria social pode tomar o indivíduo orientado para um fim
como ponto de partida, embora a psicologia possa, por sua vez, querer explorar
esse sistema a fim descobrir o que torna sua ação coerente ou ‘intencional’”.(38)Podemos assimilar essa afirmação à
de John Roemer, para quem o postulado da nacionalidade individual pertence
igualmente ao domínio do auto-evidente: “O individualismo metodológico é um
método dedutivo que busca deduzir observações históricas a partir de postulados
de base sobre o comportamento individual que são suficientemente
fundamentais para serem considerados evidentes em si” (Roemer,1982b, p. 253, o grifo é nosso). Ou ainda à antropologia
filosófica, subjacente a Making Sense of Marx, de Elster, sobre quem Hindess (1986, p. 442) observava, numa resenha
recente, que “ele introduz de fato o individualismo metodológico como uma
premissa que não tivesse nenhuma necessidade de ser defendida”.
Tendo aceito como plenamente verificada a
filosofia utilitarista e individualista que constitui o inconsciente
antropológico da ciência econômica liberal, Coleman supõe resolvida a questão
da lógica da ação social. Por isso, ele pode afirmar (1986b, pp. 362-363): “o
principal desafio teórico [que se apresenta à sociologia] é mostrar como ações
individuais se combinam para gerar um produto social... É preciso que existam
na realidade instituições sociais (tais como o mercado ou os sistemas
eleitorais) que traduzam os gostos e as propriedades (endowments) individuais num conjunto de preços e numa distribuição de bens ou numa
decisão coletiva. O necessário em teoria social é um aparelho conceitua) para
descrever essa tradução”. “O problema intelectual central das ciências sociais
(...) é o seguinte: compreendemos e sabemos modelar o comportamento
individual, mas raramente somos capazes de
efetuar uma passagem apropriada desse nível ao do comportamento do sistema formado por esses mesmos indivíduos” (Coleman, 1984, p. 88, os
primeiros grifos são nossos). Em outro texto, o sociólogo americano prossegue:
“O exemplo mais bem-sucedido de modelação dessa transição é o modelo do mercado
puro e perfeito da teoria econômica neoclássica” (Coleman, 1978b, pp. 157-158). Ou ainda: “Creio que o paradigma que
convém à sociologia deriva da teoria walrasiana do equilíbrio, embora ele perca
seu valor, em parte porque nem todos os bens sociais [social
goods] são divisíveis, sem efeitos externos, e
nem todos obedecem ao principio de conservação; e, em parte, por causa da
estrutura social, _ que um sistema walrasiano ignora” (Coleman, 1986b, p. 364).
Em razão disso, “parece-me que a sociologia poderia tomar um aspecto da teoria
microeconômica, no caso, o modelo comportamental da escolha racional, e
acrescentar ao mercado uma pluralidade de outras estruturas, através das quais
produtos sociais são gerados” (Coleman in Lindenberg et al, 1986, p. 124).
Segundo Coleman, a passagem do micro ao
macro pode efetuar-se não pela via exclusiva do mercado, como é proposto pelos
modelos econômicos relativamente grosseiros de Gary Becker, mas por três
grandes tipos de mecanismos: os mercados, as hierarquias ou sistemas de
relações de autoridade ou de relações contratuais e os sistemas normativos.
Coleman evoca também o papel da confiança e das redes de comunicação. (39)Todos, entretanto, podem ser analisados da
mesma maneira em termos de interesse individual. Tampouco as normas escapam à
tentativa do sociólogo de Chicago de tudo explicar como resultante da ação
racional de agentes em busca de regular eficazmente as condutas de terceiros,
cujos “efeitos secundários negativos” os afetam. (40)A figura reproduzida abaixo ilustra a
estrutura que, em conseqüência, a teoria sociológica deve adotar,
constituindo-se seu cerne, aos olhos de Coleman, pela relação de tipo 3, retorno
do micro ao macro; as relações de tipo 4 (macro-macro) seriam a síntese do
raciocínio falacioso em ciência social. (41)

O mérito de James Coleman é, nesse caso, o de ir além
das hipóteses excessivamente simplificadoras de um Becker, pelo reconhecimento
da existência de outros mecanismos de “tradução” micro-macro além do simples
mercado. Formulando claramente a necessidade de articular a “teoria da ação”,
ainda que racional, a uma teoria da estrutura social, (42)Coleman evita igualmente certas aporias
que minam a démarche de Elster, para
quem a estrutura se reduz a um conjunto de “jogos” (dilema do prisioneiro,
batalha dos sexos, jogo de confiança, “toma lá, dá cá”, etc.), isto é, em
última análise, a uma série atemporal de intenções individuais planejadas sob a
ação de pressões especificadas ex ante. Finalmente, sua constatação do fosso profundo que separa atualmente a
teoria e a pesquisa empírica contém uma critica implícita, que nos parece
salutar, ao fetichismo metodológico da sociologia ortodoxa americana. (43). Mas essas
contribuições só são possíveis a partir de premissas não analisadas e de uma
antropologia truncada, cujos custos proibitivos Sewell vai se apressar em pôr
em dia.
Sewell e a “idade de ouro” da sociologia histórica na
América
Não surpreende que a resposta a Coleman
tenha sido dada por um historiador de formação, e não um sociólogo “puro” (44)
A sociologia histórica e comparativa experimenta, há cerca de quinze anos, uma
expansão sem paralelo nos Estados Unidos. Observadores tão diversos quanto o
behaviorista George Caspar Homans (1986) e o weberiano Randall Collins estão de
acordo em ver nela um dos avanços mais promissores da ciência social americana.
(45)
Essa ressurgência da sociologia histórica
teve origem no descrédito, inseparavelmente cientifico e político, que as
transformações do pós-guerra e os conflitos sociopolfticos dos anos 60 infligiram às teorias da
modernização (versão psicológica á la Inkeles, McLelland e Lerner, ou
estrutural à la Marion Levy e Walt W. Rostow) e ao evolucionismo
funcionalista de Parsons e Eisenstadt, que até então reinavam absolutos sobre a
macrossociologia anglo-americana. (46) Encorajaria pela reabilitação da
tradição de Marx, Weber e Tocqueville, uma nova geração de jovens pesquisadores
encontrou no método histórico e comparativo o meio não apenas de neutralizar,
tornando visíveis, os vezos ideológicos e etnocêntricos da disciplina, mas
também de escapar à oposição estéril da “teoria suprema” e do “empirismo
abstrato”, denunciada já em 1959 por C. Wright Mills (1977). Essa geração se
precipitou na trilha dos trabalhos pioneiros de Barrington Moore, Reinhard
Beridix, Charles Tilly, Gerhard Lenski e Immanuel Wallerstein.
Desde então, a sociologia histórica
passou a abarcar um universo de objetos cada vez mais amplo e variado: das
relações étnicas à emergência dos Welfare States e suas políticas sociais, (47)
passando pela formação das classes operárias, (48) as revoluções e as
insurreições populares, (49) as profissões liberais, (50) a
história do poder ou do sistema capitalista mundial (51) e, atualmente,
a cultura, (52) já não há um plano da realidade social que lhe seja
alheio, a ponto de lhe permitir afirmar-se, hoje, como um dos setores
intelectualmente mais dinâmicos da sociologia americana (ainda que permaneça
socialmente menos poderoso que a RAT).
Para clarear os espíritos, pode-se situar
a passagem do bastão dos adeptos da “teoria da modernização” para a nova
geração dos sociólogos historicizantes no Congresso da Associação Americana de
Sociologia, realizado em São Francisco em 1975. Numa sessão agitada, Immanuel
Wallerstein, pai de toda a recente teoria do “sistema-mundo”, travou um combate
singular com Alex Inkeles, representante da velha ortodoxia modernizadora. O
titulo da comunicação de Wallerstein (“Modernization Theory, Requiescat in
Pace”) dá uma boa medida da relação de forças entre esses dois paradigmas.
Foi um golpe de misericórdia: o público de várias centenas de pessoas cobriu
Wallerstein de aplausos, deixando Inkeles ler seu texto sob um silêncio
indiferente, apenas quebrado por algumas piadinhas.
É significativo que os trabalhos de tipo
histórico, que eram em geral obra de produtores isolados
até o início dos anos 70, (53) formem hoje um subcampo relativamente
autônomo e claramente reconhecido como tal no espaço da produção sociológica
americana - a tal ponto que alguns sociólogos dessa linha temem se ver isolados,
tornando-se uma “especialidade” entre tantas outras, segundo a lógica própria
de funcionamento do campo. Também nisso, a influência crescente da abordagem
histórica pode ser medida por diversos indicadores: antes de mais nada, pela
avalanche de obras e artigos publicados em revistas importantes, que adotam
abertamente essa perspectiva; (54) pela crescente atenção dada à reflexo
e à codificação metodológicas, que se traduz na proliferação dos manifestos,
tratados e manuais de síntese destinados ao ensino; (55) pelo aumento
regular dos efetivos da seção de “sociologia histórica e comparativa” na
American Sociological Association, que, criada tardiamente em 1983, já tinha
quase 500 membros inscritos cinco anos depois; pelo fato de a maioria absoluta
dos prestigiosos Prêmios Sorokin concedidos pela ASA, no curso da última
década, ter sido atribuída a obras de tipo histórico e comparativo. Finalmente,
indício que não engana, o alto preço alcançado pelos “sociólogos históricos” no
mercado de trabalho acadêmico: há alguns anos, os grandes departamentos buscam
atrair os novos Ph.D. formados por esses métodos e disputam acirradamente às
figuras de proa dessa “especialidade”.
Essa cristalização
institucional da sociologia histórica foi grandemente facilitada por revistas
como Comparative Studies in Society and History, The Journal
of Interdisciplinary History e The
Journal of Modern History, bem
como pela formação de associações interdisciplinares que criaram centros de
diálogo entre sociólogos e historiadores, em especial aquelas inspiradas na
Escola dos Anais, como a Social Science History Association (56) Além disso, ela se viu
muito ampliada pelo ressurgimento da dimensão histórica no campo da
antropologia. (57)
A popularidade da abordagem cultural em
sociologia histórica ainda decorre da popularidade que desfruta a sociologia
cultural, também esta em expansão recente (e igualmente marcada pela criação,
em 1987, de uma seção de Sociologia da Cultura no interior da ASA),
impulsionada, entre outros, por Michel Foucault, Norbert Elias, Pierre
Bourdieu, Jürgen Habermas e pelos trabalhos do Center for Cultural Studies de
Birmingham. (58) Nessa linha, encontra-se uma clivagem, homóloga à que
separa a RAT da sociologia histórica, entre, por um lado, as abordagens
institucionalistas, que tendem a uma visão instrumental da ação (por exemplo,
Peterson, DiMaggio, Ann Swidler e Judith Blau), e, por outro, os adeptos de uma
sociologia de orientação fenomenológica, fundada numa concepção semiológica da
prática do “outro” (Peter e Bennett BeSger, Gusfield, Kitsuse, Denzin e Gary
Fine, por exemplo). (59)
Essa série de oposições homotéticas entre
racionalidade e normas, instituição e agente, sistema e ator, estrutura e
cultura, causa impessoal e significação percebida, reproduz-se no interior da
própria macrossociologia. Nela, sob esse ângulo, podemos distinguir
grosseiramente duas perspectivas: uma é estrutural e se liga em parte à
corrente do “estruturalismo” americano (associado aos nomes de Blau, Mayhew,
Harrison White, Ron Burt, etc.), ao passo que a outra é antes “culturalista” e
revela tanto o impacto de Geertz (60) e da antropologia simbólica,
nascida em Chicago nos anos 60, como a influência persistente da tradição
hermenêutica e interacionista.
O debate entre William H. Sewell, Jr.
(1985b) e Theda Skocpol (1985) sobre o papel da ideologia na Revolução
Francesa, publicado no Journal of Modern Nistory, fornece uma síntese exemplar dessa
oposição. Sewell toma, neste caso, o partido de uma abordagem histórica guiada
pela antropologia cultural geertziana e pelas teorias “pós-estruturalistas”,
desta vez em face de uma representante da análise “estrutural” nua e crua. A
argumentação desenvolvida por Sewell é a mesma de sua discussão com Coleman.
Procura se posicionar como o defensor de um método de análise mais sofisticado
que o do adversário, capaz de integrar a dimensão cultural e histórica das
condutas sem por isso recorrer a uma teoria que pressupõe agentes individuais
perseguindo conscientemente seu interesse, plenamente compreendido.
Sewell abre a discussão louvando Skocpol
por ter sabido, em seu livro principal, States and Social Revolution (Skocpol,1979),
evitar as simplificações do determinismo monista que faz das revoluções a
conseqüência de uma causa única e invariável (a luta de classes), sem cair no
erro inverso da idiografia fácil e estéril da pura narrativa. Mas só elogia
para melhor censurá-la, logo depois, por não ter incluído a ideologia entre os fatores
que participam dessa “causalidade mútua” explicativa da trajetória única da
Revolução Francesa. O erro de Skocpol, afirma Sewell, é ter descartado
sumariamente a ideologia, apenas porque nenhuma ideologia particular,
associável a um coletivo definido, permitia prever o curso da revolução. Contra
essa visão “ingenuamente voluntarista”, Sewell propõe conceber a ideologia como
um conjunto de formas discursivas, cognitivas e emocionais, impessoais e
anônimas (recorre aqui a Althusser, Foucault, Geertz e Raymond Williams), que
não tem necessidade alguma de ser veiculado por um grupo identificável para
exercer sua eficácia sobre a ação.
Para além da dinâmica política e social
da Revolução Francesa, Sewell distingue, então, uma dinâmica simbólica
relativamente autônoma, dotada de temporalidade e efeitos próprios. Por
exemplo, a noite de 4 de agosto, que Skocpol considera simples produto lógico
da sublevação camponesa, não precisando absolutamente ser privilegiado na
análise, marca para Sewell, ao contrário, um momento-chave na eclosão de uma
ideologia especifica da revolução, cuja expressão exacerbada será o Terror.
Tentando equilibrar-se numa posição intermediária entre Skocpol e Furet,
Sewell vê na
própria idéia de “revolução social” - a crença na possibilidade de reestruturar
por completo, politicamente, uma sociedade - uma invenção ideológica da
Revolução Francesa, que demanda explicação (cf. Hunt [1984] para o
desenvolvimento sistemático desta tese).
Em sua resposta, Skocpol, ao mesmo tempo
em que reconhece ter subestimado o fator ideológico em States and Social Revolutions (ponto a
que ela retorna mais longamente num artigo dedicado à revolução iraniana, cf.
Skocpol, 1982), sugere que a critica de Sewell se baseia numa interpretação
equivocada do que ela entende por causalidade estrutural. Skocpol aceita a
idéia de que as lutas sociais são o produto ativo e inventivo de agentes reais
cujas estratégias são guiadas por formas simbólicas historicamente dadas. Mas
sustenta que o resultado dessas lutas é inteiramente determinado por fatores
estruturais, entre os quais a configuração das relações de classe, a forma do
Estado e a posição do país nas relações internacionais, especialmente
militares. Assim, ironicamente, é Skocpol - símbolo, para muitos, de uma sociologia
“sem ator” - que assume, nesse caso, a defesa de uma concepção muito
“acionalista” da ideologia, criticando a fluidez holística que envolve a
posição de Sewell, em quem a ideologia se toma mais ou menos sinônimo da
cultura em sua totalidade. Para evitar essa derrapagem conceitual, ela
estabelece uma distinção entre a ideologia, que redefine estritamente como
“sistemas de idéias desenvolvidos como argumentos políticos explícitos por
atores políticos identificáveis”, e os “idiomas culturais” dotados “de uma
existência mais longa, mais anônima e menos engajada que as ideologias”
(Skocpol,1985, p. 91), nos quais os agentes se abastecem a fim de fabricar
ideologias, à custa de um trabalho simbólico e organizacional próprio. O que
“exige que se examine de maneira muito concreta a consciência e o discurso dos
grupos em ação especificamente situados, e que se levem a sério as tarefas
essencialmente políticas que buscam realizar” (ibid., p. 94).
É um
tanto paradoxal que Skocpol, cujos trabalhos deram até agora tão pouco lugar à
cultura e à ação intencional, ponha assim em evidência as fragilidades e
ambigüidades da abordagem histórico-cultural de Geertz e Sewell. Mas isto é
muito conveniente, pois se Coleman e a RAT representam uma força maior da
sociologia americana ortodoxa (mainstream sociology, no vocabulário indígena),
Skocpol e os macrossociólogos “estruturais” representam uma outra, igualmente
central, ainda que mais dispersa. Por um outro lado, quer se aceite ou não a
posição de Sewell, suas discussões com Coleman e Skocpol têm omérito de revelar a incapacidade comum a ambos de integrar a dimensão
cultural em seus modelos. É que a cultura sempre ocupou um lugar periférico no
campo sociológico americano, quando não foi inteiramente abandonada aos antropólogos,
por comodidade epistemológica ou acadêmica. E os sociólogos americanos que
passaram há pouco a considerá-la com renovada atenção continuam sendo, em sua
grande maioria, “estruturalistas” impenitentes, no sentido de que pretendem
explicar as formas culturais, seja referindo-as diretamente a fatores sociais e
organizacionais externos, seja, à maneira de Sewell, submetendo-as a uma
leitura interna que culmina numa celebração de sua sistematicidade e autonomia.
Essa
interpretação culturalista do método histórico está na base das críticas e
contrapropostas de Sewell (1987) em sua resposta a Coleman. Contra as
abstrações do esquema individualista do rational choice, Sewell traça as
grandes linhas de uma teoria da ação atenta à localização espacial e temporal
concreta dos processos estudados, centrada no jogo dialético das ações
significantes e de seus contextos estruturais, e inteiramente impregnada da
preocupação com a variação e a especificidade históricas. Sewell destaca o
caráter simplificador e unilateral do modelo colemaniano e empenha-se em
recolocar em questão a distinção entre os níveis de análise micro e macro que é
seu pivô. Sua critica atinge, um por um, os três principais tipos de relações
identificados por Coleman, e, em especial, a importância exorbitante que este
último atribui à simples passagem micro-macro.
Antes de mais nada, Sewell apresenta o
argumento de que a relação micro-micro (tipo 1 no esquema acima), que Coleman
tende a apresentar como evidente em si mesma, não pode ser captada, nem mesmo
conceitualizada, sem que se dê previamente o quadro macrossociológico. Apenas
ele a define e determina. Portanto, a rigor, ela só tem sentido em função da
totalidade das relações de tipo 2 e 3, das quais Coleman pretende extraí-Ia por
um golpe de força teórico. Em outras palavras, as relações entre as condutas
individuais passam pelo sistema completo das relações sociais pertinentes e não
são passíveis de uma análise “individualista”. (61)Sewell
assinala em seguida que a RAT de Coleman repousa sobre uma concepção hobbesiana
do indivíduo como entidade autônoma, dada fora da história e da sociedade, e
supõe que “os interesses, as preferências ou as metas dos indivíduos podem ser
deduzidos sem dificuldade de sua posição social ou econômica” (62)
Apoiando-se nos trabalhos de Geertz, Therborn, Foucault, Bourdieu e Hochschild,
sugere, ao contrário, que não basta postular ex cathedra a existência de
interesses, preferências e metas individuais para elucidar os efeitos do nível
dito “macro” sobre o comportamento dos agentes (relação de tipo 2). Pois o
indivíduo e seus valores não poderiam ser eles próprios hipostasiados e
reduzidos a variáveis exógenas com referência a essa relação. A pessoa social
se constitui efetivamente na e pela totalidade dos laços sociais e culturais em
que o indivíduo biológico, que é seu “suporte”, se encontra inserido. A
individualidade não é um atributo natural a-histórico, mas resulta de processos
sócio-históricos precisos. (63)
O mesmo se aplica às “preferências” dos
agentes: é apenas no sistema completo das relações objetivas constitutivas de
um campo que nasce a illusio, o valor como escassez específica, e portanto o
interesse, que nunca é individual, mesmo quando se “personaliza”. E é a
história desses campos - tal como se especifica através do filtro da trajetória
individual e coletiva dos agentes que nela se investem - que define o habitas
como sistema gerador das preferências que a RAT declara, por força de
decreto metodológico, como exteriores à ação e à estrutura sociais. Omitindo a
questão das condições sociais de formação desses interesses, Coleman se impede
de ver no indivíduo uma construção social e histórica, que, também ela,
exige uma análise sociológica. A partir disso, não há escolha senão a de
retornar ao modelo a-histórico e mutilado (e, sob muitos aspectos, a nosso ver,
estreitamente “americanocêntrico”) de um homo oeconomicus que
perseguiria indefinidamente um interesse trans-histórico abstrato e imutável.
Por fim, Sewell lembra que a passagem
micro-macro (relação de tipo 3), que constitui, segundo Coleman, o “núcleo
duro” (como diria Lakatos) da teoria sociológica, não poderia também se limitar
à agregação ou à composição - seja através de trocas, de hierarquias ou de
pressões normativas - de ações individuais, todas uniformemente orientadas para
a maximização de um interesse já constituído fora de qualquer contexto
histórico e social. Na realidade, os agentes nunca criam um sistema social ex
nihilo e todos os edifícios teóricos fundados sobre essas
“robinsonadas”, pára falar como Marx, estão fadados a produzir conclusões tão
falsas e irreais quanto suas hipóteses. E Sewell faz a observação pertinente de
que o célebre “problema hobbesiano” da ordem social, formulado por Parsons -
pelo qual, desde então, a teoria sociológica americana adquiriu a bom preço uma
(falsa) consciência tranqüila filosófica - não passa de um problema
“pré-sociológico ou não sociológico”. (64)
Fica claro que, para Sewell, o próprio
ponto de partida do modelo de Coleman é problemático: postulando um estado
natural pré-social, ele “reduz o problema da ação em sua realidade dialética -
como atores estruturalmente constituídos agem de modo a que o efeito combinado
de suas ações transforme as próprias estruturas que os constituem - à questão
linear, mais simples, mais estreita e muito menos interessante de saber como,
sob condições variáveis, as ações de indivíduos que perseguem seu próprio
interesse se acumulam para produzir diversas conseqüências sociais” (Sewell,
1987, p. 169). Para substituir essa problemática neohobbesiana, Sewell esboça
um programa de pesquisas sociológicas inspirado na história e na antropologia
interpretativa e fundada nos seguintes postulados: 1) As disposições, práticas
e representações dos agentes são o produto de condições culturais e históricas
especificas, e não de dados trans-histbricos. 2) Toda sociedade encerra em si
conflitos e tensões que culminam em mudanças estruturais que, na maioria das
vezes, diferem daquelas deliberadamente perseguidas pelos agentes. 3) Essas
conseqüências sistêmicas, intencionais ou não, dependem não apenas da
constelação das metas e dos recursos dos partidos implicados, mas também de sua
articulação temporal própria. 4) Os agentes sociais são capazes de
reflexividade na medida em que tendem a ajustar seus hábitos, seus desejos e
sua visão de mundo às transformações objetivas. Sewell (1987, p. 171) encerra
assim sua critica com uma breve defesa de uma sociologia decididamente
histórica: “Em lugar de renunciar à história em benefício das histórias à
maneira do ‘como se’, a sociologia faria melhor esforçando-se por especificar
com maior rigor teórico e empírico os processos dialéticos complexos pelos
quais os sistemas sociais reais são transformados por atores historicamente
datados e situados.”
Em sua resposta a Sewel, Coleman (1987a)
sustenta com firmeza suas posições. (65) Não se dispõe a ver nas
críticas que lhe são dirigidas nada além da expressão de uma diferença de
“interesse e conhecimento”, como diria Habermas, entre o sociólogo, que
ambicionaria estabelecer relações gerais entre variáveis, e o historiador, que,
de sua parte, buscaria captar no modo narrativo fenômenos ou encadeamentos de
fenômenos particulares. Abrigando-se sob essa dicotomia perene entre nomotetese
e idiografia, Coleman limita-se a reiterar o que, para ele, são os dois erros
cardeais de toda teoria sociológica: deixar de descer ao nível dos atos
individuais e de sua conduta (racional), concentrar-se na articulação
macro-micro em detrimento do movimento inverso. É verdade que, para encarar de
frente as objeções e questões levantadas por Sewell, ele teria que pôr em
questão os postulados implícitos do esquema da escolha racional, que são
de ordem ontológica,- ou até metafísica - em outras palavras, dar-se ao
trabalho de elaborar uma verdadeira teoria ‘da ação social, em vez de se
limitar a uma teoria da combinação de condutas individuais racionalmente
reconstruídas.
A ilusão racionalista do “individualismo mitológico”
Como se
vê, o interesse desse debate Coleman-Sewell supera de muito o de um simples
intercâmbio entre dois autores, representando um confronto paradigmático de
dois pólos epistemológicos cuja força de atração cresce atualmente no campo das
ciências sociais americanas. De maneira rápida e simplificada, podemos
caracterizar assim o debate: de um lado, o pólo individualista e nacionalista,
que concebe a ordem social como a agregação, simples ou compósita, de ações
individuais, pondo em jogo agentes que buscam deliberadamente maximizar sua
utilidade pelo ajustamento instrumental dos meios disponíveis a fins claramente
dados e ordenados; do outro, o pólo histórico e culturalista, que busca
compreender a lógica dessas mesmas ações, desvendando sua significação
subjetiva e contextual, descobrindo a lógica da constituição dos agentes e de
seus fins e retraçando seus efeitos recíprocos no tempo. De um lado, uma
preferência pelos modelos formais, na maioria matemáticos, erguidos sobre
postulados deliberadamente simplificadores - para não dizer grosseiramente
simplistas, ou totalmente irrealistas -, que fundam deduções de caráter
preditivo; do outro, uma “leitura” interpretativa da realidade como “texto”,
que privilegia a indução e a compreensão do sentido que o agente dá à
sua conduta. O que está em oposição aqui são sem dúvida ‘I duas concepções da
ação social e da ciência dessa ação: pomo rationalis vs. homo culturalis,
ou, na linguagem de Martin Hollis (1977), o Homem autônomo contra o Homem
plástico; ciência dura contra ciência mole, Erklären contra Verstehen,
métodos quantitativos contra procedimentos qualitativos. E esses dois pólos
puxam em direções opostas: enquanto Coleman convida à aproximação de uma
economia menos sociológica, Sewell conclama a sociologia para o lado de uma história
mais antropológica e, sob certos aspectos, mais “anticientífica”.
Mas
terá Sewell ido bastante longe em sua crítica ao utilitarismo nacionalista
defendido por Coleman? Temos o direito de pensar que não. Coleman recorre sem
maiores justificações à noção de nacionalidade, quando este conceito é hoje
muito discutido no próprio campo do nacionalismo metodológico. De que
nacionalidade ele se vale exatamente: perfeita ou imperfeita? Total
(maximização) ou seletiva (satisfação)? Bayesiana ou não bayesiana? Paramétrica
ou estratégica? (66) São questões a que o sociólogo de Chicago não dá
resposta alguma. O mesmo se aplica à notória incapacidade da RAT de explicar as
crenças, as preferências e as convenções culturais que regem as práticas, (67)ou à sua dificuldade em evitar a confusão entre
preferências e razões. (68)
Para circunscrever mais precisamente o
campo de validade da RAT, é necessário e suficiente lembrar o que ela precisa
reprimir constantemente para poder manter suas pretensões à hegemonia paradigmática,
isto é, suas condições sociais e econômicas de possibilidade. A utilidade
da teoria da “escolha racional” depende, de fato, do grau em que suas hipóteses
iniciais estão efetivamente realizadas na prática. A mais importante
delas propõe que as forças pertinentes são indivíduos dotados de interesses ou
preferências preexistentes coerentes, hierarquizadas, transitivas, isentas de
ambigüidade e não passíveis de variações intersubjetivas. Desse postulado
decorre um segundo, pelo qual as condutas individuais são racionais, isto é,
eficazmente orientadas para a satisfação dos interesses do agente, supondo-se
que este possui informações suficientes para proceder a uma escolha inteligente
(se necessário, essa premissa de nacionalidade pode certamente ser diluída à
vontade, pelo recurso à noção de “preferência revelada”, com a vantagem, nada
desprezível, de tornar as “demonstrações” da RAT inteiramente
tautológicas). Esses postulados tornam o esquema da ação racional
particularmente aplicável aos contextos sociais em que os agentes são ao mesmo
tempo muito individualizados e bem definidos culturalmente, nos quais eles
coincidem quanto a seus interesses, e onde as comparações entre alternativas
são imediatas em virtude de uma informação pouco dispendiosa, completa e
confrontável com critérios de decisão unívocos. Como observa o antropólogo
Jerome Davis (1973) em sua crítica à teoria economicista da troca, a situação
que melhor corresponde à RAT é a do consumidor fazendo suas compras no
supermercado. Trata-se de saber, portanto, se é aceitável generalizar o
paradigma da loja de departamentos numa “concepção da sociedade como
lanchonete” (Worsley, 1984, p. 246) ou como um gigantesco jogo de Monopólio.
Não
basta, contudo, “injetar” na RAT um pouco de cultural ou de simbólico
para escapar às suas ilusões. Sabe-se que uma análise realizada segundo o
modelo parsoniano, que faz da cultura o quadro dos valores e das normas
determinantes dos objetivos das ações, invocável freqüentemente de modo
circular para explicar todo e qualquer tipo de comportamento observado, é
igualmente pouco esclarecedora. Para evitar essa armadilha normativista, Ann
Swindler (1986, p. 273) sugere conferir à análise da cultura uma dimensão
estratégica, reconceitualizando-a como “um arsenal de símbolos, histórias,
rituais e visões de mundo que as pessoas podem utilizar segundo diversas
configurações para resolver diferentes tipos de problemas”. A análise causal
das condutas consiste então em mostrar como a cultura fornece aos atores os
“elementos pré-fabricados” a partir dos quais eles elaboram suas estratégias.
Malgrado suas intenções, tal abordagem não nos permite escapar dos impasses do
individualismo instrumentalista da RAT, já que tende a reduzir a cultura
a um simples meio de ação, em vez de fazer dela um fator constitutivo ou estruturante
das práticas. Embora recorra aos trabalhos de Bourdieu, Ann Swidler parece
não perceber que a noção de estratégia cultural que este põe em jogo não
pressupõe a intencionalidade consciente e a razão calculadora, bem como o
desdobramento de estratégias individuais (Bourdieu,1980,1988). Essas
“estratégias sem autor”, sugeridas pela relação biunívoca entre o habitus e o
campo, são, por definição, transubjetivas e já estão inscritas, como
potencialidades materiais e simbólicas, no sistema das relações de força
objetivas.
Resta o
espinhoso debate referente à validade transcultural da noção de nacionalidade,
debate até aqui eludido pelos RATs de todos os matizes, e que
constitui também um perigo considerável para uma sociologia histórica de
inspiração culturalista. Levados ao limite, o universalismo da RAT e o
particularismo cultural e histórico convergem para tornar impraticável qualquer
ciência social, como revelou a controvérsia provocada pela tese neo-wittgensteiniana
de Peter Winch em The Idea of A Social Science. (69)Por um
lado, não há dúvida de que o universalismo ingênuo da RAT baseia-se numa
projeção etnocêntrica dos pressupostos culturais do analista, que lhe impede
qualquer acesso a uma compreensão adequada das culturas estrangeiras.
Inversamente, o argumento particularista, levado ao extremo de sua lógica,
culmina num relativismo que torna muito problemática a noção de saber social:
se todo conhecimento depende inteiramente de seu contexto imediato (“indéxico”,
como dizem os etnometodólogos) e é inseparável do “jogo de linguagem” original
em que é formulado, a própria possibilidade de compreensão intercultural
desaparece. Deixando-se levar pela onda pósmodernista que recolocou em moda,
recentemente, a crítica niilista da ciência, alguns apressaram-se em abraçar
esse tipo de hiper-relativismo e em deduzir de seu caráter pretensamente
incontornável a necessidade de abandonar o próprio projeto de uma ciência da
sociedade. Mas, como Charles Taylor bem viu (1985, cap. 4), ao invés de
realizar-se através de uma correspondência estática entre conceitos e
referências lingüísticas, a compreensão intercultural se efetua mediante um
processo de aprendizagem mútua que transforma os dois registros conceituais de
origem. Isto abre caminho para uma ciência social reflexiva, capaz de levar a
sério a especificidade da cultura e dos atores - entre os quais a do analista -
sem nela se perder.
De maneira similar, as recentes
investidas da teoria feminista derrubaram o pressuposto da indiferenciação
sexual inscrito no universalismo etnocêntrico da RAT, fazendo explodir a idéia
um “ator” sem gênero. (70)Tais problemas conduzem à indagação sobre
a existência um individualismo metodológico que não tome obrigatoriamente como
ponto de partida os “homens num estado de isolamento e rigidez fantástico” de
que zomba Marx (1967, pp. 47-48); que não seja, em suma, segundo a expressão
recente de Michael Burawoy, um “individualismo mitológico” (71)
Mas isto não é tudo, pois não basta
“historicizar” e “atribuir gênero” à noção de indivíduo, nem extrair critérios
unívocos e universais de nacionalidade, para sanar as carências teóricas da
RAT. O que precisa ser questionado é o próprio modelo de ciência que ela
propõe. Admitindo as premissas utilitaristas e individualistas da concepção
colemaniana da ação, podemos indagar se a economia oferece os meios de
preencher o fosso entre teoria e empiria que Coleman deplora com razão, quando
se conhece o pouco caso com que a economia trata a pesquisa empírica. (72)
A idéia de que a ciência econômica evoluiria passo a passo, à força de testes
empíricos de hipóteses deduzidas logicamente da RAT - idéia que,subjaz à sua
representação como ciência “avançada”, capaz de servir de modelo à sociologia,
uma ciência retardatária e imatura - não passa de uma ilusão positivista
(Hollis e Nell, 1975). Sem contar que é no mínimo paradoxal convidar os
sociólogos a adotar os esquemas econômicos neoclássicos no exato momento em que
seu simplismo e irrealismo fazem deles objetos de um novo requestionamento
radical no próprio interior de sua disciplina-mãe. (73)
Universalizando o caso particular das
economias liberais marcadas por elevado grau de racionalização objetiva, a RAT,
tanto em sua versão sociológica como em sua variante marxista, projeta sobre o
conjunto do social a imagem da economia de mercado capitalista
engendrada pela teoria neoclássica. (74) Ao fazê-lo, impede-se de
discernir as nacionalidades múltiplas - e freqüentemente irracionais do
ponto de vista da economia stricto sensu - que regem os diversos campos
sociais. Pois “longe de ser uma espécie de dado antropológico natural, o
interesse, na sua especificação histórica, é uma instituição arbitrária. Não há
um interesse, mas interesses, variáveis conforme as épocas e os lugares, quase
ao infinito... O interesse assim definido é o produto de uma categoria
determinada de condições sociais: construção histórica, ele só pode ser
entendido pelo conhecimento histórico, expost, empiricamente, e não
deduzido a priori de uma natureza trans-histórica”
(Bourdieu,1987, p. 125).
Assim, a
noção de estratégia intencional, orientada pela pesquisa eficiente do interesse
exclusivo da “economia econômica” - com tudo que ela envolve de decisão
deliberada, cálculo consciente, raciocínio racional, escolha planejada e
refletida e de “razão raciocinaste” (em oposição à razão prática) -leva a
projetar sobre a realidade o modelo que supostamente lhe confere razão e a
atribuir aos próprios agentes a postura contemplativa e o olhar
“racional” do analista, transformando a prática numa “atividade imaginária de
sujeitos imaginários”, como diz Marx em A ideologia alemã. A RAT não
seria tão nefasta ao desenvolvimento da sociologia da ação se não transportasse
em segredo, disfarçada em heurística ou em teoria, uma ontologia atomística do
social, que é ao mesmo tempo uma verdadeira negação savante do
social, da ação e das reivindicações coletivas, dos movimentos sociais e
dos possíveis políticos ameaçadores de que estes são portadores. (75)Tocando simultaneamente nos
registros do modelo e nos de uma realidade “desrealizada”, deslizando
insensivelmente do analítico para o antropológico, atribuindo aos agentes a
relação intelectualizada com a prática que é própria do acadêmica, a RAT se
priva dos meios de formular adequadamente a questão central de toda teoria da
ação, a saber, a da lógica imanente das condutas.
Todos esses pressupostos e pontos cegos
fazem com que a teoria da ação racional não forneça uma base sólida e rigorosa
para uma teoria geral da sociedade, como aliás tampouco não o faz a economia. O
que bem percebeu Weber - a quem alguns RATs, sobretudo na França, não hesitam
em invocar regularmente e quase ritualmente em auxilio à sua causa -, (76)
quando insistia no abismo intransponível que separa a lógica prática da ação da
lógica do modelo que o cientista constrói para seus fins analíticos: “Para o
estudo cientifico que constrói tipos [typenbildende), a maneira mais pertinente
de analisar e expor todas as relações significativas irracionais do
comportamento, condicionadas pela afetividade e que exercem uma influência
sobre a atividade, consiste em considerá-las como ‘desvios’ [Ablenkungen] de
um desdobramento da atividade em questão, construído com base na pura
nacionalidade com relação aos fins. (...) É nessa medida, e
unicamente por essas razões de conveniência metodológica, que o método
da sociologia ‘compreensiva’ é ‘racionalista’. Não se deve, portanto,
evidentemente, entender esse procedimento como um preconceito nacionalista que
envolveria a sociologia, mas apenas como um recurso metodológico, e, por
conseqüência, não se deveria interpretá-lo incorretamente como uma crença na
predominância efetiva do racional na vida humana. De fato, não se poderia de
modo algum dizer até que ponto, na realidade, as avaliações racionais com
relação aos fins determinam ou não a atividade efetiva. (77)
É ainda Max Weber (ibid, p. 7) quem
nos põe de sobreaviso, com um notável senso de antecipação: “Não negaremos,
entretanto, que o perigo de interpretações nacionalistas ilegítimas continua
a subsistir, como infelizmente confirma sem cessar a experiência. “A esse
truque teórico, que consiste em fazer um modelo teórico (aliás bastante
simplista) passar por um esquema prático que consiste em constituir uma prática
generalizada da economia no lugar onde seria necessária uma economia
generalizada das práticas, bem como à afinidade que mantém com a visão
dominante da ordem social (como simples agregado de escolhas individuais
livremente consentidas) e à função de exorcismo do espectro da ação coletiva, é
que a teoria da ação racional deve seu êxito social no interior da comunidade
cientifica americana.”
Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges
Notas
* A propósito de recente debate sobre a
“teoria da ação”, cf. J. S. Coleman, “Social Theory, Social Research, and a
Theory of Action”, American Journal of Sociology,
91(6), 1986, pp. 1309-1335; W.H. Sewell, Jr., “Theory of Action, Dialectic, and
History: Comment on Coleman”, American Journal of Sociology, 93(1), 1987, pp. 166-172; e J.S. Coleman, “Actors and Action in Social
History and Social Theory: Reply to Sewell”, American Journal of Sociology, ibid, pp. 172-175. As referencias completas aparecem na
bibliografia.
1- Além do texto de
Coleman, o número de maio de 1986 da American Journal of Sociology contém mais dois artigos sobre “O
estado atual da sociologia” (isto é, a sociologia americana): I. Wallerstein
(1986), “Marxism and utopias: evolving ideologies” e R. Collins (1986a), “Is
1980s sociology in the doldrums?”. O texto de
Collins suscitou também um vivo debate, cf. N.K. Denzin (1987x), “The death of
sociology in the 1980s: comment on Collins”, e Collins (1987), “Looking forward
of looking back? Reply to Denzin”.
2 - Ou, mais
exatamente, à representação truncada e nitidamente “presentista” que a
sociologia americana fez dos utilitaristas (Hume, Mill, Bentham e Adam Smith),
em grande parte sob a influência de Parsons, como o mostra Charles Camic
(1979). Essa filiação filosófica é ativamente reivindicada por Coleman (1986a,
p. 1329), que vê na “compatibilidade [da RAT] com os fundamentos conceituais
subjacentes a boa parte do pensamento social desde os filósofos políticos do
direito natural no século XVII” um dos principais méritos desse paradigma e o
instrumento de uma aproximação que julga necessária e benéfica entre teoria
sociológica, teoria legal e filosofia moral (cf. Coleman, 1974a).
3 - Cf. Heath (1976) e os textos reunidos em Elster (1986).
4
- Hardin (1982), Oliver (1980) e o clássico de gênero, de Mancur Olson (1965).
5 - Por exemplo Hechter (1983, 1987) e Friedman e Hechter (1988).
6
- Ver Knorr-Cetins (1981) e Wiley (1985, espec. pp. 189-195). O desenvolvimento
dessa “tradição microinteracionista” própria da ciência social americana é
recapitulado por Randall Collins (1983, 3° parte). Uma visão de conjunto dos
principais trabalhos recentes em microssociologia é encontrada em Adler, Adler
e Fontana (1987) e Atkinson (1988). Além da análise da conversação (e.g.,
Psathas, 1979, Heritage, 1985), é na sociologia das emoções que se registram os
desenvolvimentos mais vigorosos (como o atesta a criação, em 1987, de uma seção
da Associação Americana de Sociologia dedicada a essa especialidade). Por
exemplo, Kemper (1978), Shott (1979) Hochschild (1979, 1983), Denzin (1984),
Lofland (1985) e o número da revista Symbolic
Interaction do outono de 1985 (vol. 8, n. 2), compilado por David
D. Franks, inteiramente dedicado à “sociologia da emoção”; numa linha
antropológica, Lutz (1988).
7 - Ela fora
oficialmente renegada por um de seus fundadores, Peter Blau (1977a, 1977b), que
aderiu ao “macro total” com Inequality and heterogeneity. Ver também a guinada representada
por seu Prefácio à reedição de Exchange and pawer in social life (Blau, 1986). Este vínculo
entre a RAT de Coleman e a teoria da troca é explicitamente estabelecido por
Homans (1987, 1988), que vê nesta última um caso particular do behaviorismo que
tem combatido incansavelmente ao longo das três últimas décadas.
8 - Sobre a renovação
da teoria na sociologia de língua inglesa, ver Wardell e Turner (1986), Giddens
e Turner (1987), Giddens (1979, 1984, 1987), Turner (1988), Alexander
(1982-83,1987,1988a), Collins (1986b e o manual Theoretical
sociology, 1988b),
Levine (1985), Rochberg-Halton (1986) e Rule (1988).
9 - Alexander (1988c).
Sobre o “neofuncionalismo” (que é de fato um neoparsonismo), cf. Sciulli e
Gerstein (1985), Alexander (1985) e Münch (1987). Pode-se também ler a crítica,
sucinta mas fustigante, desse “movimento” feita por Charles Camic (1986) em
“The return of the funcionalists” e, num registro positivo, Turner e Maryanski
(1988), “Is ‘neofunctionalism’ really functional?”.
10 - O
enigma constituído pela relação “micro-macro” foi, aliás, o tema oficial do
congresso anual da Associação Americana de Sociologia, que se realizou em São
Francisco em outubro de 1989. Para uma amostra desse debate, que não é possível
repertoriar exaustivamente, ver KnorrCetina e Ciccourel (1981), Lewis e Smith
(1980), Collins (1981, 1983, 1988x, 1988b, pp. 375-409), Wiley (1988) e os
ensaios reunidos in Alexander et al. (1987).
11 - Num prolongamento
de seus artigos anteriores, “Rational choice theory and macrosociological
analysis” (Coleman 1979) e “Micro foundations and macrosocial theory” (Coleman,
1986b).
12
- Przeworski (1985 a, p. 379). É também a opinião de Anthony Oberschall e Eric M. Leifer (1986, p.
233) e de Bernard Barber (1977). Entre os economistas, ver Hirschleifer (1985)
e Frank (1987).
13 -Cf. Radnitzky e
Bernholz (1987). O último suplemento doAmerican Jownal of
Sociology, editado
por Christopher Winship (sociólogo quantitativista) e Sherwin Rosen (economista
da Escola de Chicago) sob o tituloOrganizations and institutions:
sociological and economic approaches to lhe analysis of social structures (1988), constata essa
interpenetração crescente da economia e da sociologia ortodoxas nos Estados
Unidos.
14
- Williamson (1975, 1981), Moe (1984), Fama (1980), Pratt e Zeckhauser
(1985). Para uma
excelente síntese dessas correntes, cf. Perrow (1986) e Francis, Turk e
Willtnan (1983). Em sociologia política, o positivismo racionalista tem por
cabeças William H. Riker e Peter C. Ordeshook (1973); ver também Plott (1976),
Barry (1978) e os trabalhos anteriores, sempre influentes, de Anthony Downs,
James Buchanan, Gordon Tullok e Kenneth Anrow.
15 - Sobre a abordagem
racionalista na análise dos movimentos sociais, Obershall (1973), Fireman e
Gamson (1979), Olson (1982), Jenkins (1983), Tilly (1978, espec. pp. 24-37), e
Popkin (1979). Jean Cohen (1985) traz uma sinopse analítica das controvérsias
atuais nesse domínio de investigação, sublinhando a oposição entre os modelos
racionais e os modelos histórico-culturais ou “identitários”. Uma tentativa
interessante de superar essa antinomia é feita por James W. White (1988) e
Charles Tilly (1985). O “monumento” da teoria racional da família é;
inegavelmente, a obra de Gary S. Becker, A treatise on the family (1981), que fez mais que qualquer
outra para legitimar o “imperialismo econômico”, na expressão de Kenneth
Boulding (1969). Ver também o artigo, de título revelador, de
Ben-Porath (1980), “The F-connection: families, friends and fitms and the
organi7ation of exchange”. O livro de Diego Gambetta, Did they jump or were they pushed? (1987), contém uma síntese das
pretensões das RAT em sociologia da educação. Para uma amostra dos trabalhos
recentes em “teoria das redes”, que, aquém de seu objeto próprio - as
estruturas de relações observáveis entre posições sociais ou organizacionais -,
põem em jogo, mais ou menos explicitamente, uma concepção racional ou
utilitarista da ação, ver Brut (1982), Laumann e Knoke (1987), Wellman e
Berkowitz (1988).
16 - Cf. Granovetter
(1973, 1974) e o artigo “Economic action and social structure: the problem of
embededness” (Granovetter, 1985); os trabalhos de Harrison White (1970, 1981),
Burt (1983), Leifer (1985), Powell (1985), Sabel (1984), Stark (1986), Berg
(1981), bem como os artigos reunidos por Zukin e DiMaggio (1986); também Tilly
(1984b, sobre Mancur Olson), Zald (1987, sobre Oliver. Williamson) e Zelizer
(1988, sobre as teorias do mercado como construção moral e cultural). Sobre a emergência
da sociologia econômica como problemática autônoma, ver Swedberg, Ifimmelstrand
e Brulin (1987), e, numa linha mais idiossincrática, Stinchcombe (1983).
17 - Sobre o
“nominalismo voluntarista”, Ninkle (1980); sobre o “posi tivismo instrumental” na sociologia
americana, Bryant (1985, espec. cap. 5, e o artigo publicado em Actes de
Ia Recherche en Sciences Sociales, nq 78, 1989.
18 - Hirsch, Michaels
e Friedman (1987), e a opinião mais ambivalente de Oberschall e Leifer (1985,
p. 251).
19 -A Universidade de
Chicago abriga a elite da Rational Action Theory: além de reunir em seu compus
vários dos seus mais eminentes representantes (James Coleman, Gary S. Becker,
George Stigler, Jon Elster e Adam Przeworski inter
alia), seu
departamento de sociologia é o único do país a oferecer a uma formação de
doutorado em RAT, com uma bateria de cursos especialmente composta para
sistematizar e difundir seu ensino. James Coleman e Gary Becker conduzem ali um
seminário fechado anual sobre “Os modelos racionais nas ciências sociais”,
famoso no país inteiro, que reúne, duas tardes por mês, o ghotta
dos RATs dos departamentos de sociologia, ciência política e economia. Jon
Elster, por sua vez, dirige o novíssimo Centro de Estudos sobre a Ética, a
Racionalidade e a Sociedade, onde são debatidos os trabalhos dos melhores
representantes do subjetivismo utilitarista de todos os continentes. Há pouco,
em julho 1989, foi lançado o primeiro número de uma nova revista Rationalism
and Society, dirigida por James Coleman e destinada a promover o
individualismo metodológico e o racionalismo dedutivista.
20
- A melhor introdução de conjunto a essa corrente é a coletânea de textos
apresentada por John E. Roemer (1986) sob o título Analytical marxism. Na
mesma série foram publicados Jon Elster, Making sense of Marx (1985);
Adam Przeworski, Capitalism and social democracy (1985b); e Michael
Taylor (org.) Rationality and
revolution (1988). Os outros
livros importantes do marxismo analítico são G.A. Cohen, Karl Marx’s theory
of history: a defense (1978); os tratados técnicos ultramatematizados de
John E. Roemer, Analytical foundations of marxian economic theory (1981)
e A general theory of exploitation and class (1982x), e o manual de
vulgarização destinado ao mercado dos estudantes secundaristas, Free to
lose: an introduction to marxist economic philo sophy (Roemer, 1988);
Philippe Van Parijs, Evolutionary explanation in the social sciences (1981x);
finalmente, Erik Olin Wright, Classes (1985). Dois
debates em torno das teses dos marxistas analíticos aparecem no vol. 11, nº 4
de 1982 (sobre marxismo, funcionalismo e teoria dos jogos) e 5, vol. 15, de
1986 (sobre a transição para o socialismo) de Theory and Society, e no
vol. 11, ng 3 de 1982, de Politics and Society (sobre a teoria da exploração
de Roemer).
22
- A coleção “Estudos de marxismo e de teoria social” dirigida por G.A. Cohen,
Jon Elster e John Roemer, publicada pela Cambridge University Press e a Maison
des Sciences de 1’Homme se apresenta nos seguintes termos: “Os livros desta coleção
têm por finalidade exemplificar um novo paradigma no estudo da teoria social
marxista. Em lugar de adotar uma abordagem dogmática ou puramente exegética,
examinarão e desenvolverão a teoria inaugurada por Marx à luz da experiência
histórica acumulada desde então, usando instrumentos da ciência social e da
filosofia não marxista. Espera-se assim libertar o pensamento marxista dos
métodos e pressupostos cada vez mais desacreditados que muitos ainda lhe
consideram essenciais, de modo a permitir que seja mais firmemente estalecido o
que é verdadeiro e importante no marxismo.”
23
- Roemer (1986, pp. 2-3). Mais adiante: “Buscando dar ao comportamento os
microfundamentos que os marxistas julgam característicos. do capitalismo, penso
que os instrumentos por excelência são os modelos fundados na escolha racional:
a teoria do equilíbrio geral, a teoria dos jogos e o arsenal das técnicas de
modelização desenvolvidas pela economia neoclássica” (ibid. p. 192).
24
- “Para compreender o que é uma explicação científica ou a noção de
causalidade, a estrutura da ação intencional ou a da interação social, o
conhecimento da filosofia analítica torna-se doravante indispensável” (Elster,
1981, p. 746). A passagem seguinte, que fecha esta nota crítica de Elster sobre
a leitura analítica de Marx proposta por G.A. Cohen, dá uma idéia da hipérbole
e dos efeitos retóricos, destinados a criar uma impressão de inovação radical,
que marcam muitos comentários com que os praticantes do marxismo analítico se
brindam mútua e regularmente, e cujos esquemas metafóricos (ar puro/estagnado,
vida/morte, raro/comum, alto/baixo, etc.) já revelam toda a grandeza
intelectual que estes atribuem à sua empresa coletiva: “Por seu livro rigoroso,
em que cada página merece receber comentários apaixonados, [CohenJ nos faz
penetrar numa paisagem que ignorávamos. O ar que aí se respira já não é a
atmosfera estagnada das intermináveis discussões escolásticas que quase
arruinaram o marxismo. É o ar das montanhas; é rarefeito, mas nele se vê claro
e longe” (ibid, p. 756). Para um outro exemplo, ver a celebração da
teoria das classes de Roemer e Wright por Van Parijs (1986-87) num artigo
intitulado, sem cerimônia, “A revolution in class theory”.
25 - Tomamos esta designação de Frank
Parkins (T979, p. X).
26 - Entre as discussões críticas do
marxismo analítico, as mais penetrantes são as de Michael Burawoy (1986 e 1989
sobre Elster, 1987 sobre Wright e o artigo, “Marxism without micro-foudations:
Przeworski’s critique of social democracy”, noprelo). Ver também Lash e Urry
(1984), Kieve (1986), Brewer (1987), Hindness (1984, 1988), Lebowitz (1988),
Taylor (1980) e a nota crítica de Weldes e Duvall (1987), de título sugestivo:
“Marxism without Marx”. Duas defesas recentes, uma total, outra parcial,
apareceram na New Le,Ji Review, uma de Carling (1986), outra de Levine,
Sober e Wright (1987) (estaria a New Left Review, por muito tempo
bastião dos marxistas estruturalistas, em via de se tornar, por um efeito
particularmente vigoroso de retomo do contrapeso, o órgão dos marxistas
individualistas?).
27
-Coleman (1986x, p. 1310, n. 2 e 1987x, p.175): “Não tenho qualquer pretensão a
ser um expert em Marx e me submeterei à opinião de Sewell, sempre que
Marx se mostrar um autor suficientemente prolixo para suportar interpretações
opostas. Cito como exemplo disto, em especial, o desacordo entre Elster e
outros sobre a presença ou ausência do individualismo metodológico em Marx.”
28
- Ler Burawoy (1986) para uma crítica meticulosa que revela os determinantes
sociais de tal reinterpretação ultra-intelectualista de Mam e que deveria ser
estendida à análise de suas funções sociais e simbólicas no campo
acadêmico. Em Boudon (1986) reencontra-se esse personagem bipartido de um Marx
que, espécie de Jano a contragosto, por um lado incide nos erros e abusos do
coletivismo metodológico e, por outro, produz análises autenticamente
científicas com base num racionalismo individualista
29
- Segundo John Roemer (1986, p. 2), uma das características distintivas do
marxismo analítico residiria em sua “abordagem antidogmática do marxismo (...). Os que
trabalham nessa tradição não se interessam particularmente pelo que Marx
escreveu ou disse. O que importa é a coerência da idéia”. E claro que se trata
de um antidogmatismo limitado ao aspecto puramente lógico do marxismo e
que, curiosamente, mostra muito pouco zelo em se exercer sobre os dogmas da
microeconomia neoclássica Como se esta já não tivesse nada em comum com essa
“ciência moral” de que, ainda não faz muito tempo, Kenneth Boulding (1969) nos
recomendava que desconfiássemos.
30
- Prova disto foi a conferência organizada, como sempre, no campos da
Universidade de Chicago em abril de 1986 sobre o tema eclético “O marxismo
hoje”, e cujos únicos participantes eram John Elster, G.A. Cohen, Adam
Przeworski e John Roemer, como se o marxismo contemporâneo se resumisse
inteiramente à sua ala analítica. Burawoy (1987, p. 69) observa a este respeito
que “a prática teórica [dos marxistas analíticos] justifica hoje uma ciência
rigorosa em oposição ao radicalismo político. A calma política permitiu aos
marxistas derivarem em busca de um novo equilíbrio dentro da universidade
liberal, e de um equilíbrio moldado pelos interesses dessa universidade. A
profissionalização ameaça reduzir o marxismo a uma ideologia de intelectuais,
cujos interesses são sistematicamente dissimulados sob o véu da neutralidade
associada à busca científica”.
31-
Em parte por um efeito de hysteresis, a RAT ainda não ingressou no rol
das taxinomias científicas reconhecidas do universo das teorias sociológicas na
América e na Grã-Bretanha (e.g., está ausente como tal da coleção reunida por
Giddens e Turner [1987], Social theory today).
32
- Além da coleção dirigida por Cohen, Roemer e Elster, mencionada na nota 22,
pode-se assinalar a série “Estudos sobre a racionalidade e a mudança social”,
dirigida por Jon Elster e Gudmund Hemes, da Cambridge University Press, e a
“California Series on Social Choice and Political Economy”, publicada pela
University of California Press, sob a batuta dos politólogos Brian Barry,
Robert H. Bates e Samuel L. Popkin.
33 -
Esse artigo representa ao mesmo tempo o fecho de seus trabalhos anteriores
(como atesta a série de textos publicados de 1964 a 1983 - mais de um terço dos
quais em obras ou revistas de economia - reunidos em J. Coleman, Individual
interests and collective action (1986c, na série “Estudos sobre a
racionalidade e a mudança social” de Jon Elster) e a introdução programática de
um livro a ser brevemente publicado sob o título Foundations of social
theory. É dispensável fazer uma apresentação de James Coleman, autor de uma
obra considerável, que compreende quase 150 artigos e cerca de vinte livros,
entre os quais The adolescent society (1961); o famoso Relatório Coleman
sobre a igualdade das oportunidades nas escolas americanas, que esteve na
origem da política federal de desagregação racial dos estabelecimentos
escolares (Coleman et ai., 1966); The mathematics of collective
action (1973); Pawer and the structure of society (1974b); The
asymmetric society (1982); e, mais recentemente, Public and private high schools: the
impact of communities (Coleman e Hoffer, 1986).
34 - Em virtude da
cunha - inserida tanto nas instituições quanto nos cérebros - que separa teoria
e empiria nos Estados Unidos, e especialmente da representação da primeira como
“especialidade” autônoma, essencialmente pertencente ao domínio da exegese
conceitua) pura (o que é expresso pelo termo local theorizing), Parsons permanece, contra ventos e
marés, a referência cardeal, no campo sociológico americano, para todos que
desejarem garantir às suas proposições o estatuto de discurso acadêmico. Não
surpreende, portanto, que o cinqüentenário da publicação de sua primeira
obra, The structure of social action, de 1937, tenha sido celebrado com
grande pompa por ocasião do congresso anual da Associação Americana de
Sociologia de 1987, numa sessão que, por mais de um aspecto, lembrava um ritual
totêmico, e de que participaram Betnard Baber, Harold Garfinkel (ambos alunos
de Parsons em Harvard), Jeffrey Alexander (que, como vimos, está agora
empenhado em reacender a chama, cf. Alexander 1988c) e Jonathan Turnet:
35 - Pode parecer
paradoxal que Coleman busque em Parsons as “origens promissoras” da teoria
utilitarista da ação que pretende desenvolver, pois sabe-se que o
“voluntarismo” que o mestre de Harvard punha no epicentro de sua sociologia se
define precisamente par uma oposição irredutível ao utilitarismo. O fato de
Coleman não destacar essa antinomia, apresentando-a antes como uma continuidade,
confundindo o voluntarism parsoniano com a purposiveness benthamniana, é um forte indício do
caráter tático da referência discursiva a Parsons (ainda que apenas
inconsciente). Trata-se de um paradoxo que, embora aparente, não deixa de
lembrar a estratégia de legitimação empregada meio século antes pelo próprio
Parsons em sua interpretação de Durkheim e Weber; lembremos que esta consistia
em apresentar sua própria teoria, por um processo imaginário de projeção sobre
o passado, como a explicitação e sistematização de uma convergência
involuntária e desapercebida entre os dois autores no sentido de uma concepção
normativa da ação, solução do eterno “problema hobbesiano” da ordem social.
36 - Amartya K. Sen
(1977) faz uma exposição sucinta e uma crítica estimulante desses pressupostos
antropológicos em seu artigo “Rational fools: a critique of the behavioral
foundations of economics”.
37 - Coleman (1986x,
p. 1.312 e 1986b, pp. 347, 360-363). Os leitores franceses reconhecerão facilmente
a problemática do “individualismo metodológico” hexagonal, e.g., Boudon (1979,
espec. o pós-escrito) e Padioleau (1986), ainda que este último tente
distinguir a versão francesa da RAT de sua irmã mais velha americana, a que
chama de “utilitarismo rústico” (p. 210).
38 - Numa comunicação
feita numa conferência de economia e administração sobre as deficiências do
modelo utilitarista da ação (e publicada no Journal of
Business com o
título de “Psychological structure and social structure in economic models”,
1986d), Coleman exorta os participantes a concentrar esforços na passagem
micro-macro, em vez de perder tempo em complexificar os “microfundamentos
da purposive action”, que o satisfazem: “São as falhas no aparelho que efetua a passagem do
nível do ator individual para o do comportamento do sistema que trazem
esperanças de maior progresso” para a teoria econômica, e não a revisão do
esquema da ação racional que lhe é subjacente. Ver também sua conferência
plenária no congresso anual da Associação Americana de Economia, “Introducing
social structure into economic analysis” (Coleman,1984): “Não é abandonando a
concepção da ação racional dos indivíduos” que se .fará avançar a ciência
social, “mas modificando os postulados organizacionais que traduzem a ação
individual em ação coletiva ou sistemática.”
39 - Num artigo
anterior (“Microfoundations and macrosocial theory”, 1986b), Coleman propõe uma
tipologia ligeiramente diferente dos mecanismos de agregação, que compreende,
além dos mercados, as organizações autoritárias e as normas, as “regras de
escolha social” (e.g., os sistemas eleitorais) e os comportamentos coletivos
(como os pânicos ou os boatos).
40- Ver seus artigos “social
structure and the emergente of norms among racional actors” e “Norms as social
capital” (Colerrian 1986a e 1987c).
41-Para diversas variantes deste esquema básico, cf. Coleman (1987b). O exemplo
reproduzido acima toma como modelo a tese de Weber em A ética protestante e o espírito do capitalismo.
42
- Cf. sua “reinvenção” do conceito de “capital social” em “Social capital in
the creation of human capital” (Coleman, 1988x), e o artigo “Free riders and
zealots: the role of social networks” (Coleman, 1988b).
43 - Para prolongá-la,
ler o livro de Stanley Lieberson (1985), em que um dos principais praticantes
dos métodos canônicos de análise multivariada os submete a uma aguda crítica
metodológica, objeto de um debate no volume de 1987 de Sociological
Methodology.
44 - Não confundir
William H. Sewell, Jr, com seu pai, William H. Sewell, sociólogo
ultraquantitativista da Escola de Winsconsin e um dos iniciadores da status
attainment research (cuja influência se faz sentir muito depois de sua aposentadoria, pois
seu protegido e herdeiro, Aage Sorensen, foi há pouco conduzido à direção do
Departamento de Sociologia da Universidade de Harvard, numa busca desesperada
de legitimidade hard; sobre a carteira de Sewell pai, ler
Sewell 1988). A tese de doutorado em história de Sewell Jr na Universidade da
Califórnia (Berkeley), em 1971, tratava da “Estrutura da classe operária em
Marselha em meados do século XIX” e foi publicada sob o título Strticture
and mobility: the men and women of Marseille, 1820-1870. W.H. Sewell, Jr, ocupa hoje a
prestigiada cátedra mista de sociologia e história, antes ocupada por Charles
Tilly na Universidade de Michigan, em Ann Arbor. Entre suas
mais importantes publicações destacam-se “Social change and the cise of working
class politics in Nineteenth-Century Marseille” (Sewell, 1974x); “Etats, corps
and ordre: some notes on the social vocabulary of the french Old Regime”
(1974b); “Corporations républicaines: the revolutionary idiom of Parisian
workers in 1848” (1979); Work and
revolution in France: the language of labor from the Old Regime to 1848 (1980);
“La confratetnité des prolétaires: consciente de classe sous la Monarchie de
Juillet” (1981); “Artisans, factory workers, and the formation of the french
working class, 1798-1848” (1986); e “Uneven development, the autonomy of
politics, and the dockworkers of Nineteenth-Century Marseille” (1988).
45 - Collins (1986, p.
1.346). Ver Calhoun (1987) para uma comparação com a Inglaterra, onde se
observa igual florescência da sociologia histórica (atestada pelo recente
lançamento da revista Historical Sociology), mas sobretudo sob a liderança dos
historiadores, e as observações de Sztompka (1986) em “The renaissance of
historical orientation in suciology”.
46 - Portes (1976)
oferece uma visão de conjunto do subcampo da macrossociologia do
desenvolvimento por volta dessa época; ver Skocpol (1988) para uma análise mais
“biográfica”.
47 - Entre outros,
W.J. Wilson (1980), Lieberson (1980) e Morawska (1985) sobre as relações
étnicas e raciais; sobre o Estado, a obra organizada por Rueschemeyer, Evans e
Skocpol (1985) marca a expansão da abordagem neo-institucionalista (ou das
“teorias centradas no Estado” em oposição às “teorias centradas na sociedade”
); também Poggi (1978), Quadagno (1988), Weir, Orloff e Skocpol (1988). Pode-se
acompanhar o progresso desse setor de pesquisas pelo boletim informativo
trimestral States and Social structures Newsletter, publicado pelo Social Science
Research Council, de Nova Iorque.
48 - Sobre os
trabalhos anglo-americanos em sociologia histórica das classes, ver a útil
sinopse de Roy (1984). Entre as obras recentes mais marcantes, podemos citar
Sabe) (1984), Burawoy (1985), Katznélson (1981), Katznelson e Zolberg (1986),
Moore (1978), Arninzade (1981), Calhoun (1982), Wilentz (1984), Levine (1984),
MacNall (1988) e Haydu (1988). Sobre a classe operária americana atualmente,
pode-se ler Davis (1986) e Fantasia (1988).
49 -Tilly, Tilly e Tilly
(1975), Paige (1975), Trimbetger (1978), Skocpol
(1979),
Bonnell (1983), Hunt (1984), Traugott (1985), Tilly (1985) e Burke (1988).
50 - Em especial
Sarfatti-Larson (1977), Starr (1982), Gerson (1984), Rueschemeyer (1973 e
1986).
51 - Wallerstein
(1974, 1979 e 1984), Hechter (1975), Chirot (1976), Block (1977), Evans (1978),
Mann (1986), Hall (1985); ver Wallerstein (1987) e Chirot e Hall (1982),
respectivamente, para uma apresentação sintética e uma revisão de conjunto da
teoria “do sistema-mundo”, assim como a série anual “Political
Economy of World System”, publicada pela Sage sob a direção de Wallerstein.
52
- Em sociologia cultural-histórica, pode-se mencionar, considerando apenas as
principais obras do período recente, Zelizer (1985), Griswold (1986), Zaret
(1986), Laitin (1986), Appadurai (1986), Ilunt (1984), Patterson (1984),
Corrigan e Sayer (1985), Abecrombie et ai. (1980), Sennett (1977), e a
coleção póstuma de ensaios do historiador Herbert G. Gutman, Power and culture
(1987).
53
- Como nota um observador estrangeiro (Clarck,1976, p. 4), esse viés
anti-histórico não era uma idiossincrasia da sociologia, mas uma característica
da divisão do trabalho científico no conjunto das ciências da sociedade: “O
especialista americano das ciência sociais, fosse economista, politólogo ou
sociólogo, podia, pelo menos até os anos 60, considerar a existência de sua
sociedade como um pressuposto. O problema de explicar como [essa sociedade]
chegara até ali podia ser relegado aos historiadores.”
54
- Uma longa lista indicativa é apresentada em T.R. Skocpol, “Emergent agendas
and tecurnent strategies” (in Skocpol, 1984, pp. 357 segs.). Ver também os
quatro artigos de sociologia histórica publicados lado a lado no número de
junho de 1988 da American Sociological Review, seguidos de outros três
no número de agosto -coisa caríssima até poucos anos atrás.
55
- As principais obras de caráter metodológico e programático recentes da
corrente histórica são Stinchcombe (1978), Abrams (1982), Tilly (1981 e 1984a),
Ragin (1987) e Skocpol (1984, que contém uma excelente bibliografia comentada
pp. 392-403).
56
- Ver Schwartz (1987), Skocpol (1987) e o conjunto desse número da revista Social
science history dedicado a um debate sobre as relações entre sociologia
histórica e história social, com Oliver Zunz, L. L. Cornell e William G. Roy.
Ver também Zunz (1985) para uma outra discussão.
57
- Se a sociologia redescobriu a história nos anos 70, nos anos 80 foi a vez da
antropologia, como atestam Cohn (1980, 1988), Worsley (1984), Sahlins (1981,
1986) Jean Comaroff (1985), John Comaroff (1982), Comaroff e Comaroff (1986),
Wolf (1982), Ronaldo (1980) e Walace (1978, 1987).
58-
Em especial Hall e Jefferson (1976), Hebdige (1979) e Willis (1977), muito
citados e utilizados, sobretudo no ensino.
59- Podemoscitaraqui Wuthnowet ai (1984),
Peterson (1979), Bennett Berger (1981), Bellah et ai. (1985), Becker
(1982), DiMaggio (1986), Wuthnow (1987); Judith Blau (1988), Gusfield (1981),,
Fine (1987), Denzin (1987b) e Desan, Ferguson e Griswold (1989). E claro
que as tendências que identificamos - aqui como em outras passagens - não
representam “teorias” ou posições fixas que este ou aquele autor citado
adotaria em bloco, sem restrições, mas linhas de força que atravessam um
campi de pesquisas e desenham a estrutura subjacente do espaço das
tomadas de posição possíveis e prováveis em sociologia da cultura.
60
- A influência da concepção semiológica da cultura de Geertz (e.g., 1974) sobre
Sewell remonta ao longo período em que estiveram juntos na Universidade de
Chicago, no início dos anos 70. Em seguida, Sewell passou vários anos no Conter
for Advanced Studies de Princeton, a convite de Geertz Sob o impacto da
antropologia simbólica deste sobre a pesquisa histórica nos Estados Unidos, cf.
Walters (1980); lambém Darnton (1984, espec. pp. 9-13 e 296-303) e Bourdieu,
Charrier e Darnton (1985). Uma discussão crítica dos espinhosos problemas
metodológicos e teóricos colocados pela thick description geertziana
pode ser vista em Rosebetry
(1982), Shankman (1984), Crapanzano (1986), e no artigo de
Schneider (1987), “Culture-as-text in lhe work of Clifford Geertz”. Sobre a
corrente “interpretativa” de modo mais geral, Rabinow e Sullivan (1979).
61
- Esta é uma das teses desenvolvidas por Goffman (1974) em sua crítica ao
interacionismo e à etnometodologia, através da noção de frame-analysis.
62
- Sewell (1987), p. 168). Para Albert Hirschman (1982, p. 79), “uma crítica
mais geral que pode ser oposta à análise de Olson - e a uma boa parte da teoria
da decisão econômica em geral - é que nela os sujeitos, ainda que eficazes e
com freqüência engenhosos, são desprovidos de história”. Adepto moderado
da RAT, Timothy Luke (1985, p. 70) admite que esta pressupõe logicamente
indivíduos “desculturados, desistorizados, despolitizados e dessociali lados”.
O próprio Adam Przeworski (1985a, p. 382) reconhece que “os postulados
ontológicos do modelo da escolha racional - em especial o postulado de
‘indivíduos’ indiferenciados, imutáveis e sem relações uns com os outros - são
indefensáveis”.
63
- Como demonstram, entre outros, Elias (1973), Abercrombie et ai. (1986), Foucault (1975, 1976), Rosaldo (1980),
Carrnthers, Collins e I_ukes (1985).
64 - Sewell (1987, p. 169, n. 2). Anthony
Giddens (1977) mostrou que, seja como for, o “problema hobbesiano” nunca ocupou
no pensamento dos pais fundadores o lugar central que a teoria ortodoxa
americana lhe atribui. Sabe-se ainda, desde o estudo clássico de C.B.
Macpherson, The political theory of possessive individualism: Hobbes and
Locke (1962), que os pressupostos políticos e sociais da visão “hobbesiana”
da ordem social têm origem mais na organização econômica e social do
mercantilismo inglês do século XVII que num hipotético “estado de natureza”.
65
- Sua reação deve ser comparada com as severas críticas que formula em outros
textos à abordagem interacionista de Gusfield e ao método comparativo empregado
por Skocpol e Orloff (Coleman, 1986b).
66
- Ver Van Parijs (1981b) para uma exposição condensada dessas distinções.
67 - Van Parijs (1981b, p. 312). A este
respeito, Russel Hardin vai ao ponto de concluir, em seu artigo “Difficulties
with lhe notion of economic rationality” (1983, p. 4b5): “A nacionalidade
individual que está pretensamente na base das explicaçõe$ econômicas no nível
societal é, essencialmente, uma quimera” Assim também, Douglas (1986, p.102)
admite que, se são os indivíduos que tomam as decisões, são as instituições que
definem as classificações entre as quais eles escolhem.
68
- Hollis (1987). E poderíamos citar aqui Wittgenstein (1965), para quem “na
ponta das razões, está a persuasão”.
69
- Winch (1958). Os principais momentos dessa longa controvérsia que se prolonga
até hoje estão reunidos nos dois volumes organizados por Wilson (197) e Ilollis
e Lukes (1982). Sobre o Rationalitãstreit na filosofia das ciências, é
proveitosa a leitura de Paul A. Roth, Meaning and method in the social
sciences: a case for methodological pluralism (1987).
70
- Gilligan (1982), Benhabib e Cornell (1987), e a imensa literatura que cresceu
em velocidade exponencial nestes últimos anos na interseção da teoria crítica,
do feminismo e da historiografia, e em que se destaca o recente livro de Joan
Scott (1988), Gender and lhe politics of history.
71
- M. Burawoy, “Mythological individualism”, conferencia proferida na
Universidade de IIarvard em 1988, por ocasião de um simpósio em homenagem a
Parsons.
72
- Segundo um estudo do prêmio Nobel Wassily Leontief (reportado por I Iirsch et
ai., 1987, pp. 330-331), mais da metade dos artigos publicados na American
Economic Review entre 1977 e 1981 apóiam-se em modelos matemáticos puros, sem
conter qualquer dado de observação, ao passo que menos de 0,59’o dos autores
tinham se empenhado em apresentar dados novos. Deve-se contudo, fazendo justiça
a Coleman, observar que, no seu caso, não se verifica~tal desproporção entre
esforço teórico e observação empírica, ao contrário do que ocorre entre os
marxistas analíticos (com exceção de Przeworski e Wright), sobre os quais o
mínimo que se pode dizer é que não se atrapalham com dados de observação. Isto
em violação aos princípios formulados por Marx, que recomendava expressamente,
em A ideologia alemã: “É preciso que, em cada caso isolado, a observação
empírica mostre nos fatos, sem nenhuma especulação ou mistificação, o
vínculo entre a estrutura social e política e a produção. A estrutura social e o
Estado resultam constantemente do processo vital de indivíduos determinados; mas
desses indivíduos não como podem aparecer a si mesmos em sua própria
representação ou aparecer na de outrem, mas tal como são na realidade; isto
é, tal como operam e produzem materialmente; tal como agem, portanto, em bases
e em condições e limites materiais determinados e independentes de sua vontade”
(Mane, Engels, 1968, p. 34, o grifo é nosso).
73 - Ver
Hirschman (1986, espec. cap. 4)), Thurow (1983), Bell e Kristoi (1981), Sen
(1977), I_ieberstein (1976 e 1979, especialmente pp. 493-496 sobre os problemas
suscitados pelo postulado de maximização), Sen e Williams
(1982), e Miller e Williams (1982). Segundo Spiro Latsis (1972), o “programa de
pesquisa” da microeconomia neoclássica ingressou já há bastante tempo no que
Lakatos chama de fase de degenerescência. Collins (1986a, p. 1.352) observa
ainda que “o modelo da escolha racional é uma intrusão imperialista da economia
no seio da sociologia, proveniente da zona a mais clássica e a mais
retrógrada [backwards] da ciência
econômica contemporânea”
74
- “A teoria da escolha racional pode muito bem não passar de uma ‘ideologia’
que se contenta em retranscrever na linguagem teórica mais aceitável da
decisão individual do mercado a crua realidade das decisões impostas por via
administrativa” (Luke, 1985, p. 77).
75
- Lash e Urry (1984) mostram claramente que o postulado do individualismo e a
teoria dos jogos desempenham em Elster o papel de uma ontologia do social e não
simplesmente de uma metodologia. Ver também a observação de Przeworski citada
na n. 62 acima. A função de negação política da RAT foi notada com perspicácia
por Arbert Hirschman: “Convém lembrar aqui que, no momento em que Mancur Olson
proclamava a impossibilidade de uma ação coletiva de grandes grupos (tal como
Daniel Bell o ‘fim da ideologia’), o mundo ocidental estava prestes a se ver
quase inteiramente submerso por uma onda sem precedentes de movimentos públicos
(...). Parece-me plausível que, paradoxalmente, o sucesso do livro de Olson
tenha se devido em parte ao desmentido que os acontecimentos lhe infligiram em
seguida. Depois que estes se encerraram, as muitas pessoas que os tinham
considerado profundamente incômodos puderam retomar a lógica da ação coletiva e se
reconfortar, encontrando ali sólidas razões pelas quais essas ações coletivas
dos anos 60, na verdade, jamais deveriam se ter produzido, eram talvez menos
reais do que parecia [isto faz pensar em la révolution introuvable] e, em
suma, ao que tudo indicava, não se repetiriam mais. Assim, longe de ser.
afetada por essa aguda contradição, a obra lucrou com ela, fazendo um grande
sucesso junto aos que julgavam os acontecimentos recentes intoleráveis e
totalmente aberrantes”. É a essa função de desrealização do social que
corresponde à dimensão normativa, ou mesmo prescritiva, da RAT, revelada ou
reivindicada por muitos autores, como Luke (1985, p. 98), Downs (para quem a
RAT politológica “ocupa uma zona de claro-escuro entre os modelos normativos e
os modelos prescritivos”, 1957, p. 31) e Van Parijs (1981a, p. 305). Gibson
(1977) chega a afirmar que, em última análise, nenhuma concepção não normativa
da nacionalidade é filosoficamente sustentável.
76
- Por exemplo, Boudon (1984), mas também Jon Elster (1979), que vê em
Morgenstern e Weber os dois mestres da teoria racional.
77
- Weber (1971, p. 6, o grifo é nosso). Sobre os múltiplos sentidos dos
conceitos de nacionalidade e de racionalização em Weber, ver Brubaker (1984) e
Sica (1988), que recentemente submeteu apreferência de Weber pela nacionalidade
a um exame aprofundado. A distinção weberiana entre modelo e realidade teve um
prolongamento frutífero na oposição entre “nacionalidade científica” e
“nacionalidade de senso comum” estabelecida por Alfred Schutz (1953 e 1970, pp.
125-159) e retomada e elaborada por Garfinkel e os etnometodólogos, cujos breaching experiments (Garfinkel,
1967, pp. 35-75) demonstram melhor que qualquer discurso que a via social seria
simplesmente intolerável e impossível se os agentes sociais se comportassem
efetivamente à maneira dos afores racionais da RAT.
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