XXV ENCONTRO ANUAL
16 a 20 de outubro de 2001, Caxambu, MG
 

ST06 - Cultura e arte na sociedade contemporânea: novos desafios, novas estratégias

RESUMOS DOS SEMINÁRIOS

1ª sessão: Arte, cultura e sociedade: novas estratégias de análise. Questões teóricas e metodológicas


Octávio Ianni, USP, UNICAMP:

Tipos e mitos na cultura brasileira

No pensamento brasileiro são freqüentes os “tipos ideais” elaborados por diferentes autores e que se tornam emblemáticos, notáveis ou mesmo definitivos podendo às vezes figurar como mitos. Esse é o caso de o bandeirante, o gaúcho, Jeca Tatu, Macunaíma, o homem cordial e outros. Vale a pena refletir sobre este aspecto da cultura e do pensamento brasileiros.



Ruben George Oliven, UFRGS:

O imaginário brasileiro na música popular



Marcelo Siqueira Ridenti, UNICAMP:

Cultura e política: enterrar os anos 60?

A comunicação trata das relações dos intelectuais e artistas com a política, dos românticos anos 60 aos pragmáticos 90. Aborda os rumos que tomou uma intelectualidade que já se propôs a mudar o mundo e a vida, cuja posterior despolitização talvez não se deva essencialmente à vontade dos agentes, mas às próprias transformações por que passou a sociedade brasileira.



Roberto S.C. Moreira, UnB:

Sociedade da cultura e teoria sociológica

O trabalho dá continuidade a investigações que vêm sendo realizadas há algum tempo sobre o lugar da cultura na sociedade contemporânea, especialmente no contexto brasileiro. O ponto de partida é que a sociologia da cultura se restringia à arte e à literatura e que agora essa situação começa a mudar, em conseqüência de vários fatores, entre eles, o fato de que a sociologia se vê desafiada a enfrentar as mudanças da contemporaneidade, para os quais a cultura parece ser a melhor chave de compreensão.



2ª sessão: Arte-pública / Arte-cidade: tradição histórica e propostas contemporâneas

Bárbara Freitag Rouanet, UnB:

A ruína urbana como obra de arte: o caso "Brasmitte"



Mariza Veloso Motta Santos, UnB:

Arte pública, memória e cidade

A cidade será analisada como fluxos de práticas materiais e simbólicas que, no entanto, delimitam espaços diferenciados, transformando-os ora em lugares e ora em não lugares. Pretende-se discutir o papel da arte pública, dos monumentos, dos museus na constituição dos espaços públicos da cidade, o que, por sua vez, suscita reflexão sobre a tessitura da memória coletiva.



Irineu Garcia, Assoc. dos Escultores de Porto Alegre:

Territórios em trânsito: arte pública, identidades e espaço-mundo

Meu material de trabalho sou eu mesmo em interação com o meio em que me encontro, que pode ser a minha rua ou qualquer lugar do mundo contemporâneo. No centro do meu projeto está a questão da identidade que se constrói no confronto com o estrangeiro. A experiência da desterritorialização se converte num espaço de diálogo com o outro e também de reconstrução da identidade transitória, cambiante que se constitui na condição de enfrentamento com a realidade contemporânea. As minhas obras são intervenções nos espaços onde atuo e se manifestam de diferentes formas, seja através da militância ecológica ou procurando interferir no vai-e-vem da cidade. Opero principalmente na esfera internacional a partir de uma multiplicidade de universos culturais. Paralelamente, sempre dialogando entre o estar fora e o estar dentro, vou resgatando minhas referências pessoais, como a paisagem gaúcha das estâncias de gado e da região missioneira.



Denilson Lopes, UnB:

O fim das cidades e o retorno da viagem

Trata-se de um primeiro mapeamento sobre os sentidos da viagem na modernidade no desejo de fornecer um outro instrumento para a melhor compreensão do espaço contemporâneo. Viagem como encontro com outro, como aprendizado, como iniciação. Viagens estáticas, virtuais e alucinógenas. Viagens turísticas e previsíveis. A questão de fundo seria se a flânerie benjaminiana emerge como forma de conhecimento valendo-se da experiência urbana do século XIX seria a viagem, encarnada na deriva, uma perspectiva mais rica para lidar com as complexidades das cidades nesta virada de século. Para precisar melhor esta discussão, analiso dois curta-metragens: O enigma do dia, de Joel Pizzini, e Ângelo anda sumidô, de Jorge Furtado.


3ª sessão: Cultura, Estado, campo e mercado: relações em mutação, novas abordagens

José Roberto Zan, UNICAMP:

Regras da arte e da política: a propósito da música popular brasileira nos anos 60

Com este texto pretende-se refletir sobre a natureza dos conflitos simbólicos que marcaram o campo da música popular brasileira nos anos 60. Palavras de ordem, lemas e outras expressões inerentes à esfera política eram incorporados por grupos que representavam tendências artísticas em conflito. Se, de acordo com Bourdieu, as relações entre as esferas política e artística são mediadas por campos relativamente autônomos, as posições assumidas por músicos naquele período obedeciam a regras específicas do seu campo; embora aparentemente semelhantes às do campo político, tinham sentidos distintos.



Maria Celeste Mira, PUC-SP:

Cultura e segmentação: um olhar através das revistas



Edson Farias, UFBA:

Esfera cultural e festas populares

A comunicação rastreia a composição de um circuito de festas populares no qual tais acontecimentos compõem uma correlação sociocultural e econômica, amalgamando expressão e produção culturais, profissionalismo e brincadeira. O trabalho descreve algumas das propriedades inerentes ao nexo do apelo mercantil de diversão e turismo com os fluxos translocalizados dos símbolos, na contrapartida dos contingenciamentos étnico-históricos, que informam a figuração dessas situações contemporâneas de sociabilidade lúdico-artísticas. Mas o recorte analítico insiste na importância de reconhecer o movimento de mudança sociocultural com base no peso adquirido pela conjunção das esferas da cultura laica e do consumo autonomizado na modernidade, com repercussões sobre a formação dos sujeitos e também na definição dos limites estruturais de algumas práticas humanas.



Maria Terezinha Ventura, UFF:

Arte e política cultural

O texto destaca como indicativo estratégico da gestão Weffort a concentração do recurso decisório acerca das políticas, programas e estratégias de produção cultural no âmbito do estado. A descentralização da gestão e desempenho do projeto cultural passam a ser geridos pelo entendimento entre produtores culturais e agentes do mercado. Mostra a transição entre uma política anteriormente orientada pelas instituições públicas estatais para uma política voltada para a inserção do setor privado. Ao realizar a descentralização da administração pública, o Ministério da Cultura concentra a produção decisória e delega à sociedade e ao mercado a gestão, fiscalização, desenvolvimento e inserção social dos projetos culturais. Mostra-se que os processos de globalização e transformação na economia política mundial alteram o espaço político institucional das decisões sobre as políticas públicas. A autoridade e autonomia de setores intermediários entre estado e sociedade passam a ser exercidas em conjunto com as demandas por uma economia de mercado. A política de incentivos fiscais opera com a estratégia política de instituir um modelo de economia mista para o setor cultural.